Sete empresas do Ibovespa estão em zona vulnerável aos juros altos, aponta TAG

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoMercado Financeiro5 horas atrás8 Visualizações

Sete empresas do Ibovespa apresentam uma relação entre lucro operacional e despesas com juros abaixo do nível considerado de alerta pela TAG Investimentos. O levantamento, baseado nos balanços do segundo trimestre de 2026, coloca Localiza, Smart Fit, PetroRecôncavo, Klabin, Energisa, Magazine Luiza e Auren em uma faixa que a gestora classifica como vulnerável ao custo da dívida.

A análise abrange 44 companhias do índice, sem incluir a Petrobras. Nesse grupo, o resultado financeiro líquido representou um peso equivalente a 6,6% da receita, ante 5,3% no mesmo período do ano anterior. Na tradução dos números apresentada pela gestora, quase R$ 7 de cada R$ 100 faturados foram destinados ao pagamento de juros.

A TAG, que administra R$ 18 bilhões em ativos, identifica uma pressão crescente sobre os resultados das empresas. O problema é especialmente relevante para negócios que precisam de empréstimos para manter as atividades, financiar a expansão ou adquirir máquinas e equipamentos — e também para quem investe em suas ações ou em papéis de dívida, no chamado crédito privado.

Quais empresas têm menor cobertura de juros

Para avaliar essa exposição, o estudo utiliza o índice de cobertura de juros. A medida compara o Ebit — lucro antes de juros e impostos, usado como medida do lucro operacional — com a despesa de juros do mesmo período.

Um índice de três vezes significa que o lucro operacional de um trimestre ou de um ano seria suficiente para pagar três vezes os juros daquele intervalo. Essa é considerada uma margem confortável; uma cobertura superior a três vezes indica maior folga sob esse critério. Quanto maior o indicador, melhor a capacidade de arcar com essa despesa.

Os analistas da TAG estabelecem o sinal de alerta abaixo de 1,5 vez. Nessa faixa, o custo da dívida coloca a companhia em uma “zona vulnerável”. Das 44 empresas avaliadas, sete estavam nessa condição:

  • Localiza (RENT3): cobertura de 1,3 vez;
  • Smart Fit (SMFT3): 1,2 vez;
  • PetroRecôncavo (RECV3): 1 vez;
  • Klabin (KLBN11): 1 vez;
  • Energisa (ENGI11): 0,9 vez;
  • Magazine Luiza (MGLU3): 0,6 vez;
  • Auren (AURE3): 0,5 vez.

Em Energisa, Magazine Luiza e Auren, o lucro operacional já era insuficiente para cobrir os juros das dívidas. A avaliação da TAG é que essas empresas têm operações razoáveis, mas o custo dos juros compromete o lucro.

Dívida mais cara pesa sobre empresas e investidores

A pressão ocorre em um ambiente de juros básicos de dois dígitos, mantido desde 2022. A Selic, referência para o custo de capital no Brasil, estava em 2,00% ao ano no início de 2021 e chegou a 10,75% um ano depois. Em 6 de setembro de 2026, a taxa estava em 14% ao ano.

O aumento do custo da dívida aparece também no crescimento da lista de empresas que recorreram à recuperação judicial ou extrajudicial para renegociar suas obrigações nos meses anteriores. Entre elas estão Raízen, Casas Bahia, Braskem, GPA, Light e Grupo Toky.

As crises dessas companhias têm razões próprias, incluindo erros de gestão que prejudicaram os resultados. O ponto comum é o peso das dívidas em um cenário de juros elevados. Investidores que compraram ações ou títulos de dívida dessas empresas sofreram perdas cuja recuperação pode demorar — ou mesmo não ocorrer.

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Foto: Foto: reprodução

Segundo a TAG, os negócios ligados ao consumo de massa financiado por cartão de crédito e carnê estão entre os mais pressionados. Eles enfrentam simultaneamente uma demanda mais fraca e despesas financeiras ampliadas pelos juros altos.

Varejo sente queda nas vendas, mas há diferenças entre empresas

A dificuldade do consumidor em um cenário de juros elevados também aparece nos balanços do varejo, setor diretamente dependente do consumo das famílias. No segundo trimestre, quase todas as empresas do setor registraram redução das vendas em termos reais, isto é, após descontar a inflação, na comparação com o mesmo período de 2025.

Essa comparação considera as chamadas vendas nas mesmas lojas, indicador que exclui pontos de venda recém-abertos. Ao retirar o efeito das inaugurações, a medida permite uma leitura mais precisa do desempenho do negócio.

As maiores quedas reais nesse critério foram:

  • Lojas Renner (LREN3): recuo de 4,1%;
  • Assaí (ASAI3): queda de 3,7%;
  • Iguatemi (IGTI11): redução de 2,9%.

Algumas empresas, porém, têm conseguido resistir à combinação de juros altos e endividamento recorde dos brasileiros. A RD Saúde (RADL3), das redes Drogasil e DrogaRaia, conta com a demanda pelas chamadas canetas emagrecedoras. Já a Vivara (VIVA3) concentra sua atuação no público de renda mais alta, menos sensível ao custo elevado do crédito.

O Magazine Luiza, também conhecido como Magalu, apresenta uma situação intermediária: a demanda associada à Copa do Mundo ajudou a sustentar as vendas no segundo trimestre, mas não afastou a pressão financeira. As despesas financeiras somaram R$ 572 milhões e contribuíram para o prejuízo de R$ 72 milhões.

TAG espera alívio lento para os resultados

Na avaliação dos analistas da TAG Investimentos, a redução da pressão financeira sobre as empresas deve ser gradual. O Banco Central vem cortando a Selic aos poucos, mas a taxa permanece próxima do maior patamar em duas décadas.

A expectativa da equipe é que companhias com cobertura de juros inferior a 1,5 vez continuem com o lucro líquido pressionado por mais trimestres. Para a gestora, esse cenário exige atenção redobrada de investidores em ações e papéis de dívida dessas empresas.

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