EUA pressionam indústria de defesa a acelerar produção em meio à guerra com o Irã

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoMercado Financeiro28 minutos atrás8 Visualizações

O Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, pediu às maiores empresas do setor militar que acelerem a produção e a entrega de sistemas considerados estratégicos. A cobrança ocorre em meio a novas preocupações com estoques e gargalos agravados pela guerra com o Irã.

Steve Feinberg, vice-secretário de Defesa dos EUA, afirmou que o departamento pretende antecipar ou ampliar encomendas de programas considerados críticos. A lista inclui sistemas de vigilância de longo alcance, radares, interceptadores para defesa aérea e equipamentos capazes de rastrear mísseis.

Em uma carta enviada em 5 de agosto a grandes fornecedores militares, entre eles Boeing, Lockheed Martin e RTX, Feinberg escreveu que ciclos de desenvolvimento com duração de anos “não são aceitáveis”. O vice-secretário defendeu uma aceleração drástica dos cronogramas e a ampliação imediata da capacidade de produção.

Estoques de munição estão no centro da pressão

A carta foi vista pela Bloomberg e divulgada anteriormente pelo Washington Post em um momento de aumento dos alertas sobre os estoques de armamentos americanos. As Forças Armadas dos EUA vêm utilizando munições nos ataques contra o Irã e também para interceptar drones e mísseis lançados contra bases americanas na região.

O presidente Donald Trump nega que os Estados Unidos estejam ficando sem munições. Na quinta-feira, ele afirmou que o país possui “quantidades enormes” e ameaçou punir quem disser que há escassez.

Ao mesmo tempo, Trump reconheceu que os estoques estão mais apertados em alguns sistemas. O presidente disse que novas unidades chegam diariamente, mas não detalhou quais equipamentos enfrentam maior pressão.

A iniciativa do Pentágono, porém, não se limita às necessidades imediatas da guerra com o Irã. Feinberg também citou como prioridades sistemas de comunicação por satélite e uma nova geração de defesa antimísseis.

Programas que podem ganhar prioridade

Um dos projetos mencionados é o Next Generation Interceptor, da Lockheed Martin. O sistema foi desenvolvido para proteger o território americano contra mísseis balísticos intercontinentais e deverá substituir equipamentos usados atualmente nos interceptadores instalados na Califórnia e no Alasca.

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Foto: Foto: reprodução

As empresas receberam prazo até o fim de agosto para apresentar propostas que permitam encurtar os cronogramas de entrega ou aumentar a capacidade produtiva.

O documento também indica quais programas podem receber mais recursos no planejamento orçamentário de defesa para o ano fiscal de 2028. Boa parte das prioridades envolve radares terrestres e navais e sistemas de defesa antimísseis, e não necessariamente as munições utilizadas diretamente contra o Irã.

  • AN/SPY-6: radar naval de defesa aérea e antimísseis da RTX, instalado nos destróieres mais recentes da Marinha americana;
  • AN/TPY-6: radar da Lockheed Martin criado originalmente para oferecer cobertura de 360 graus à ilha de Guam contra possíveis ataques de mísseis chineses;
  • LTAMDS: radar de nova geração da RTX integrado à rede de defesa aérea que protege a região da capital Washington;
  • radares de vigilância de longo alcance da Leidos, que começam a ser implantados como parte do Golden Dome, projeto americano de defesa antimísseis inspirado no conceito do Domo de Ferro israelense;
  • T-7A Red Hawk: avião de treinamento produzido pela Boeing;
  • navios-tanque da classe John Lewis, produzidos pela General Dynamics para reabastecer a frota americana em alto-mar;
  • um sistema infravermelho de busca e rastreamento da Lockheed para caças F-15;
  • Nasams: sistema de defesa antiaérea fabricado pela norueguesa Kongsberg em parceria com a RTX e já fornecido pelos EUA à Ucrânia.

Feinberg também incluiu equipamentos de comunicação militar por satélite resistentes a interferências. Eles são usados para conectar as Forças Armadas e a liderança dos Estados Unidos à constelação americana de satélites.

Empresas terão de detalhar investimentos

Além de exigir cronogramas mais rápidos, o Pentágono quer saber quanto as fabricantes estão dispostas a investir em fábricas, equipamentos e ampliação da capacidade produtiva.

Feinberg pediu que as empresas detalhem os gastos necessários para sustentar o que descreveu como um compromisso do governo americano com volumes maiores e encomendas contínuas. As propostas com alternativas para acelerar as entregas ou expandir a produção devem ser apresentadas até o fim de agosto.

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