O mercado imobiliário brasileiro assiste a uma mudança de hábito entre famílias de alta renda. Em vez de manter galpões, lojas ou escritórios diretamente no nome da holding patrimonial, muitos herdeiros estão preferindo receber cotas de Fundos Imobiliários (FIIs). Gestores ouvidos pelo setor relatam que a troca vem ganhando força pela combinação de eficiência tributária, liquidez e facilidade no processo sucessório.
Segundo Fabio Carvalho, sócio da Alianza e gestor do FII ALZR11, o brasileiro sempre foi “patrimonialista” por conviver décadas com alta inflação. Essa cultura de ter a escritura em mãos começa a ceder espaço a uma visão mais financeira do patrimônio. As novas gerações já chegam às reuniões conhecendo produtos, gestores e estratégias de FIIs, relata o executivo.
Além da mudança de perfil dos herdeiros, a tributação é apontada como motor da virada. Estruturas antigas de holdings devem gerar “menos caixa líquido” com as regras que avançam até 2031, diz Carvalho. Ao mesmo tempo, há receio de aumento no imposto sobre dividendos no futuro, o que reforça a busca por veículos mais modernos e flexíveis.
Um caso recente ilustra o movimento: uma família industrial de São Paulo vendeu um galpão logístico para um FII e recebeu o pagamento integral em cotas. Na sequência, essas cotas foram distribuídas entre esposa e filhas, resolvendo a sucessão sem necessidade de inventário do imóvel.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Com a pressão fiscal às portas e a indústria de FIIs mais robusta, a troca de telhados por “papéis” deve ganhar tração. Para investidores iniciantes, o movimento reforça a importância de entender tanto os custos de manter um imóvel quanto as particularidades de um fundo antes de tomar decisões.
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