O coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que o plano do candidato é apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para retardar em um ano a entrada em vigor da reforma tributária sobre o consumo. O adiamento valeria a partir de 2026, data prevista para o início do período de testes dos novos tributos CBS e IBS.
Por que a reforma seria suspensa?
- Revisão de alíquotas: Marinho alega que o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) desenhado ficou alto e que o Brasil pode ter a maior carga agregada do mundo nesse modelo.
- Fundos estaduais: O senador critica aportes federais estimados em R$ 1 trilhão em dez anos para compensar estados e financiar desenvolvimento regional, argumentando que a despesa ficaria fora do teto de gastos.
- Ajustes setoriais: O setor de serviços reclama de possível aumento de carga, enquanto indústria, agronegócio e parte do varejo apoiam a simplificação.
O que muda na prática para empresas e investidores
- Planejamento tributário: Empresas já iniciaram adaptações de sistemas para emitir notas com CBS e IBS em 2026, ainda que sem pagamento efetivo. Um adiamento posterga investimentos em tecnologia e contabilidade.
- Visibilidade de fluxo de caixa: A simplificação prometia reduzir custos de conformidade. Incerto, o cenário mantém a complexidade atual por mais tempo.
- Mercado de capitais: Dúvidas sobre carga tributária e trajetória da dívida pública costumam influenciar expectativa de inflação e, por consequência, de juros futuros — variável sensível para quem acompanha Selic, renda fixa e Bolsa.
Entenda o cronograma original
- 2026: Período de testes para CBS (federal) e IBS (estadual/municipal) — emissão de notas sem recolhimento.
- 2027: Início do Imposto Seletivo sobre produtos considerados nocivos, extinção de PIS, Cofins, IOF-Seguros e parte do IPI, além da cobrança efetiva da CBS.
Para adiar esse calendário, a PEC teria de ser votada entre novembro e dezembro de 2026, ainda na atual legislatura. Um movimento semelhante ocorreu em 2022, quando o Congresso aprovou a chamada “PEC da Transição”.
Riscos fiscais em discussão
Os aportes federais aos fundos de compensação são classificados como despesas financeiras, ficando fora das metas fiscais. Críticos afirmam que isso pressiona a dívida pública; o governo argumenta que a arrecadação mais eficiente e o crescimento econômico compensariam o gasto extra. Para investidores em títulos públicos, qualquer incerteza no arcabouço pode repercutir nos prêmios de risco e, por tabela, no rendimento de instrumentos indexados ao IPCA ou ao CDI.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
O que observar daqui para frente
- Negociação da possível PEC com líderes do Congresso após as eleições municipais.
- Sinalizações do Banco Central sobre impacto fiscal nas expectativas de inflação e na trajetória da Selic.
- Reação de setores mais afetados, como serviços e comércio eletrônico, que compõem boa parte das empresas listadas na B3.
- Movimento dos governadores, especialmente dos estados exportadores, interessados nos fundos de desenvolvimento regional.
Enquanto o debate avança, investidores iniciantes devem acompanhar a tramitação legislativa e monitorar como a incerteza sobre regras tributárias influencia o humor do mercado, o câmbio e a evolução dos juros.