Políticos, sobretudo nos Estados Unidos, intensificaram o discurso contra os super-ricos. Mas um estudo que rastreou cerca de 7 mil bilionários ao longo dos últimos 25 anos revela uma guinada: pela primeira vez, metade da riqueza desse grupo nasceu de empreendimentos competitivos, sem ligações evidentes com monopólios ou favores públicos.
O que o levantamento mostrou
- Desde 2021, o patrimônio oriundo de setores considerados “não competitivos” — mineração, cassinos, defesa e construções dependentes de concessão — encolheu.
- A fatia de herdeiros, que no início dos anos 2000 detinha quase 50% da riqueza bilionária, caiu para cerca de um quarto.
- Empreendedores como Jensen Huang (Nvidia), Bernard Arnault (LVMH) e Robin Zeng (CATL) respondem pela maior expansão recente de patrimônio.
Por que isso aconteceu
- Mercado em alta: ações globais renderam mais de 13% ao ano na última década, beneficiando fundadores que mantêm participação societária.
- Crescimento chinês: mesmo com desaceleração, a renda média mais alta empurrou centenas de empresários locais para além da marca de US$ 1 bilhão.
- Smartphones e internet móvel: novas empresas escalaram globalmente em poucos anos, multiplicando fortunas no comércio eletrônico, streaming e aplicativos.
Impactos para o debate sobre taxação
O avanço das chamadas fortunas “self-made” complica a narrativa de que toda grande riqueza é produto de privilégios. Legisladores que defendem um imposto sobre grandes fortunas ainda apontam concentração de poder político e influência desproporcional, mas o argumento da “riqueza imerecida” perde força quando celebridades, atletas e fundadores de startups entram na lista.
No Brasil, a discussão sobre tributação de patrimônio ganhou fôlego durante a reforma tributária, mas continua sem definição. O resultado do estudo fornece munição para ambos os lados:
- Para quem defende o imposto, segue válida a preocupação com concentração de poder e baixa carga efetiva sobre renda de capital.
- Para quem é contra, a evidência de que novas fortunas geram empregos e inovação reforça o receio de fuga de capitais em um cenário de Selic ainda elevada.
O que o investidor iniciante deve observar
- Ciclos de juros: Ambiente de taxas baixas estimula inovações que podem criar novas gigantes de mercado. Quando os juros sobem, setores dependentes de crédito — caso do imobiliário — tendem a sofrer, como mostrado pela queda de um terço na riqueza de bilionários do setor.
- Valor das ações: A alta concentração patrimonial em papéis de tecnologia mostra como oscilações nas bolsas impactam diretamente grandes fortunas. Para investidores pessoa física, isso ilustra a importância de diversificar além de um único setor.
- Debate regulatório: Mudanças em regras de doação política ou de tributação podem alterar expectativas de retorno para empresas intensivas em capital humano e tecnológico, afetando tanto renda variável quanto fundos temáticos.
Setores em transformação
Ramos antes associados a fortunas “protegidas” — como cassinos e construção pesada — perderam peso, pressionados por:
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
- maior escrutínio regulatório,
- taxas de juros altas,
- mudanças de comportamento após a pandemia (queda na demanda por escritórios, por exemplo).
Enquanto isso, tecnologia, bens de consumo premium e manufatura de componentes para energias renováveis exibem crescimento acelerado, sustentado por demanda global e ganhos de escala digital.
Conclusão prática
O estudo sinaliza que o centro de gravidade da riqueza extrema está migrando de segmentos dependentes de barreiras regulatórias para setores competitivos e voltados ao consumidor. Para o investidor comum, entender essa dinâmica ajuda a avaliar riscos setoriais, volatilidade de preços de ações e possíveis mudanças tributárias que podem surgir tanto no exterior quanto no mercado doméstico.