FS e Mubadala avaliam compra de dívidas da Raízen que podem virar ações

A produtora brasileira de biocombustíveis FS e o Mubadala, fundo soberano de Abu Dhabi, avaliam comprar dívidas da Raízen que estão nas mãos de credores e podem ser convertidas em ações. Segundo pessoas familiarizadas com as negociações, as conversas ainda são preliminares e não há garantia de que um negócio será concluído.

A FS contratou o Morgan Stanley para assessorá-la na possível aquisição, relataram essas pessoas, que pediram anonimato por se tratar de discussões privadas. O interesse ocorre em meio à reestruturação da Raízen, que abrange cerca de R$ 65 bilhões em dívidas.

A conversão dos créditos em participação acionária é uma parte central desse processo: os credores concordaram em trocar dívidas por ações que lhes darão mais de 80% do capital da companhia. FS, Mubadala e IG4 Capital buscam adquirir os créditos antes dessa conversão, de acordo com as pessoas familiarizadas com o assunto.

IG4 concentra interesse na divisão de açúcar e etanol

O IG4 Capital mudou o alcance de seu interesse na operação. Em junho de 2026, havia manifestado intenção de comprar dívida suficiente para assumir o controle da Raízen. Agora, busca apenas créditos ligados à divisão de açúcar e etanol, segundo pessoas familiarizadas com as discussões.

As possíveis vendas de créditos integram o contexto mais amplo de reorganização da empresa, que atua em açúcar, etanol e distribuição de combustíveis e está no centro de uma das maiores reestruturações de dívida corporativa já realizadas no Brasil.

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Foto: Foto: reprodução

Morgan Stanley, IG4, FS e Raízen não quiseram comentar.

Acordo envolve R$ 65 bilhões em dívidas

Controlada conjuntamente pela Shell e pela Cosan, de Rubens Ometto, a Raízen acertou com credores, em março de 2026, a reestruturação extrajudicial de aproximadamente R$ 65 bilhões em dívidas.

As dificuldades financeiras se agravaram no início de 2026, com a deterioração do caixa e a forte queda dos títulos de dívida após uma sequência de rebaixamentos de rating. A companhia enfrenta os efeitos de decisões estratégicas malsucedidas, juros elevados por períodos prolongados e safras fracas de cana-de-açúcar.

Além da conversão de dívidas em ações, a Raízen tem procurado vender ativos para reduzir sua alavancagem, ou seja, seu endividamento. Algumas vendas foram bem-sucedidas, mas os resultados ainda são insuficientes diante do volume de dívidas.

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FS recebeu aporte em operação com a Amaggi

Uma das maiores produtoras de etanol de milho do Brasil, a FS tem suas origens em Mato Grosso, um dos principais estados agrícolas do país. O Summit Agricultural Group, sediado em Iowa, detém uma participação no capital da empresa.

Em julho de 2026, a trading agrícola Amaggi adquiriu 40% da FS. A operação incluiu um aporte de US$ 100 milhões na produtora de etanol por meio de uma emissão primária de ações.

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