Fundo imobiliário CACR11 recua quase 60% após suspensão dos dividendos de abril

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoMercado Financeiro1 mês atrás61 Visualizações

O fundo imobiliário Cartesia Recebíveis Imobiliários (CACR11) acumulou desvalorização próxima de 60% na semana, no mês e em 12 meses, depois de a gestora Cartesia decidir suspender a distribuição de dividendos referentes a abril.

Em comunicado ao mercado, a Cartesia informou que reteve o resultado de R$ 1,24 por cota apurado pelo regime de caixa para “preservar o fluxo financeiro” diante de um ambiente de juros elevados, encarecimento de materiais e mão de obra, redução das vendas de imóveis e atrasos em repasses.

Objetivo é reforçar caixa dos empreendimentos

A gestora declarou que a estratégia busca garantir a continuidade das obras financiadas pelo fundo e assegurar o valor das garantias atreladas às operações. Entre os fatores que pressionam o caixa, a companhia citou:

  • demora na aprovação de projetos modificativos na Bahia;
  • atraso na emissão de “habite-se” em São Paulo;
  • postergação de receitas previstas com vendas de unidades.

A Cartesia reiterou que as operações contam com garantias reais “adequadas e formalizadas” e que os ativos da carteira permanecem inalterados.

Carteira sob escrutínio

A interrupção dos dividendos ocorre num momento em que o CACR11 já era alvo de questionamentos. Reportagem do Valor Investe apontou dúvidas sobre a estrutura da carteira, a gestão do fundo e a sustentabilidade dos rendimentos. Conforme os documentos analisados, mais de 80% do patrimônio líquido está concentrado em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) ligados a empreendimentos ainda não lançados, com baixo nível de vendas ou com o cronograma atrasado.

Embora esses empreendimentos ainda não gerem fluxo de caixa operacional, os CRIs continuavam remunerando o fundo, o que sustentou proventos elevados nos últimos anos. A exposição do CACR11 a determinados projetos aumentou nos últimos dois anos, mesmo diante de atrasos, e há questionamentos sobre a efetividade das garantias oferecidas. Também foram observadas movimentações de CRIs entre veículos geridos pela mesma casa.

Parecer de auditoria e troca de administração

O relatório dos auditores independentes sobre as demonstrações financeiras encerradas em dezembro de 2025 trouxe abstenção de opinião por falta de evidências suficientes após a troca de administração do fundo — a gestão passou do Banco Daycoval para a BRL Trust em dezembro daquele ano. À época, os auditores mencionaram operações compromissadas de curto prazo no valor de R$ 23 milhões ao fim de 2025.

Posteriormente, o Banco Daycoval divulgou as demonstrações financeiras de transferência com parecer sem ressalvas. Na versão final validada pela auditoria, o saldo das operações compromissadas foi ajustado para R$ 20,6 milhões.

Apesar do cenário adverso e da suspensão temporária dos proventos, a gestora não sinalizou mudanças na composição da carteira nem apresentou novo cronograma para retomada da distribuição de dividendos.

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