Fundos de cripto sofrem resgates de US$ 1,67 bi em uma semana; ETFs de Bitcoin concentram maior saída de 2026

Lucas FerreiraLucas FerreiraCriptomoedas6 horas atrás7 Visualizações

Os produtos negociados em bolsa lastreados em criptomoedas (ETPs) sofreram resgates de US$ 1,67 bilhão na última semana, segundo a CoinShares. Trata-se da segunda maior fuga de capital deste ano e marca o terceiro período consecutivo de saídas líquidas, que já alcançam US$ 4,21 bilhões desde o início de maio.

Bitcoin concentra a maior parte dos resgates

Os ETPs de Bitcoin (BTC) responderam por US$ 1,44 bilhão das saídas — o maior montante semanal de 2026. Apesar disso, o saldo no ano ainda permanece levemente positivo, em torno de US$ 1,2 bilhão. O patrimônio total administrado pelos veículos de Bitcoin caiu para US$ 114,6 bilhões.

Já os fundos de Ether (ETH) viram mais US$ 257,3 milhões deixarem suas carteiras, elevando as perdas acumuladas no ano a US$ 346 milhões.

Altcoins perdem fôlego; poucas exceções

A participação das chamadas altcoins — criptos fora do Bitcoin — encolheu. Apenas cinco ativos receberam aportes superiores a US$ 1 milhão. O XRP liderou as entradas positivas, com US$ 20,3 milhões, seguido por Hyperliquid (HYPE) e Near (NEAR).

EUA puxam movimento de aversão a risco

Regionalmente, os Estados Unidos foram responsáveis por US$ 1,63 bilhão dos resgates, alinhados ao fluxo de US$ 1,42 bilhão que deixou os ETFs de Bitcoin listados em bolsas norte-americanas. Alemanha, Suécia e Hong Kong também registraram retiradas, enquanto apenas a Holanda teve entradas modestas.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Por que o investidor está saindo dos criptofundos?

  • Clima geopolítico: o aumento das tensões envolvendo o Irã estimulou postura defensiva (“risk-off”) em vários mercados.
  • Bolsa americana sem tração: ações em queda reduzem o apetite por ativos de maior volatilidade, como criptomoedas.
  • Juros altos por mais tempo: a perspectiva de manutenção das taxas nos EUA faz o rendimento de renda fixa parecer mais atraente em comparação a criptoativos.
  • Demanda institucional limitada: analistas citam menor procura de grandes investidores nas últimas semanas, inclusive a ausência de novas compras relevantes por parte de players que costumavam sustentar o fluxo.

O que o investidor brasileiro deve observar

No Brasil, a Selic em patamar ainda elevado torna a renda fixa local competitiva. Para quem já possui exposição em criptos via ETFs negociados na B3 ou diretamente em corretoras, a movimentação internacional ajuda a entender por que os preços podem permanecer mais voláteis no curto prazo.

Vale acompanhar:

  • Taxa de juros dos EUA (Fed): qualquer sinal de cortes pode reaquecer o apetite por risco.
  • Câmbio: oscilações do dólar influenciam cotação de ETFs de criptos na Bolsa brasileira.
  • Fluxo de investidores institucionais: retomada ou não das compras é um termômetro importante para a confiança no setor.

Por ora, a combinação de incerteza macroeconômica, geopolítica e juros altos continua pesando sobre os fundos de criptomoedas, mantendo os investidores em compasso de espera.

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