Gestores de fundos imobiliários de crédito começaram a remodelar carteiras para aproveitar o ciclo de redução da Selic, previsto para iniciar em março, segundo sinalização recente do Banco Central. O movimento envolve aumentar, no curto prazo, a fatia de papéis atrelados ao CDI e, no horizonte maior, manter a preferência estrutural por títulos indexados ao IPCA.
Rodrigo Possenti, head de fundos imobiliários da Fator e gestor do VRTA11 (Fator Verita), afirma que o ambiente político e econômico permite cortes graduais na taxa básica até o período eleitoral. Historicamente, cerca de 90% do VRTA11 esteve referenciado à inflação, pois a queda dos juros costuma reprecificar esses papéis, elevando o valor patrimonial do fundo.
Para capturar retornos imediatos enquanto a Selic continua elevada, o gestor pretende reduzir a concentração em IPCA e direcionar de 20% a 30% do portfólio para operações ligadas ao CDI. Esses contratos terão prazos curtos, entre dois e três anos. “Em dois ou três anos faço a realocação e não fico preso a um CDI longo que pode cair muito”, explica.
Na Éxes Investimentos, administradora do EXES11 (Exes), a carteira que antes era dividida quase igualmente entre IPCA e CDI passou a priorizar o CDI no curto prazo. Arthur Carneiro, sócio da gestora, observa que negócios em CDI acrescido de 4% ao ano ainda apresentam spreads atrativos, algo mais difícil de encontrar em títulos atrelados ao IPCA ou prefixados.
“Se o mercado remunera CDI+4%, ele não quer pagar IPCA acima de dois dígitos”, argumenta Carneiro. Mesmo assim, a inflação permanece como indexador em projetos nos quais ajuda a equilibrar riscos.
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Carneiro ressalta que o fundo evita extremos de qualidade. De um lado, papéis high grade continuam demandados, porém com spreads comprimidos; de outro, títulos high yield exigem atenção redobrada. A opção tem sido concentrar aportes no segmento middle grade, buscando equilíbrio entre proteção e rentabilidade.
Com a expectativa de queda da Selic já precificada em parte dos ativos, a decisão entre IPCA e CDI torna-se, segundo os gestores, menos questão de convicção e mais de adequação a prazos e perfis de risco.