Fundos internacionais encolhem em número de cotistas mesmo com dólar 9% mais barato

Felipe MartinsFelipe MartinsEstratégias de investimento17 horas atrás8 Visualizações

Quando o real se fortalece, a lógica sugere aumento de procura por investimentos atrelados ao dólar. Em 2024, porém, a regra não se confirmou: com a moeda norte-americana recuando cerca de 9 % até meados de maio, os fundos brasileiros que destinam parte relevante da carteira ao exterior perderam investidores.

Menos investidores, mais recursos concentrados

Levantamento da Comdinheiro/Nelógica com 296 fundos que mantêm ao menos 30 % do patrimônio fora do País mostrou saída líquida de 5,7 mil cotistas desde o fim de dezembro. O total de aplicadores caiu para 738,1 mil.

  • 181 fundos diminuíram a base de investidores.
  • 111 fundos ganharam cotistas.
  • Ainda assim, a indústria captou R$ 1,7 bilhão, valor concentrado nos maiores veículos.

Em outras palavras, quem permaneceu investiu mais — mas o grupo de aplicadores ficou menor.

Juro doméstico alto pesa na decisão

Enquanto isso, o investidor local encontra alternativas de renda fixa pagando próximo de 14 % ao ano (CDI). Com Selic elevada, o ganho previsível oferecido por títulos públicos e CDBs acaba competindo diretamente com o risco adicional de aplicar em ações no exterior, ainda que em dólares.

Criptoativos lideram a debandada

A maior perda de cotistas ocorreu nos fundos de criptoativos — reflexo da forte queda do Bitcoin (BTC) entre 2022 e 2023. Parte dos investidores entrou quando a criptomoeda rondava recordes, viu a cota despencar e resgatou recursos.

Nem o bom desempenho de techs segurou o investidor

Curiosamente, carteiras que surfaram a recuperação do setor de tecnologia nos Estados Unidos também assistiram a saídas:

  • Itaú Index US Tech: +13 % no ano, mas 2,6 mil cotistas a menos.
  • First Trust Megatrend Ações: +20,2 % no ano, com redução de 1,1 mil investidores.

Isso mostra que rentabilidade recente não garante permanência: fatores como perfil de risco e necessidade de liquidez pesam na decisão.

Migração para produtos passivos

Parte dos recursos pode ter trocado fundos de gestão ativa por veículos mais baratos e fáceis de acompanhar, como ETFs negociados na B3 ou BDRs de ETF. A família Trend, da XP, é exemplo: o Trend Bolsas Emergentes triplicou patrimônio para R$ 63 milhões e saltou de 800 para 4 mil cotistas no ano.

O que o investidor iniciante aprende com o movimento

  • Diversificação cambial: aplicar em dólar continua relevante para quem busca proteção contra a volatilidade do real, mas a decisão deve considerar horizonte de tempo e tolerância a risco.
  • Juros x risco: em períodos de Selic alta, a renda fixa ganha atratividade e pode reduzir o apetite por ativos de maior volatilidade.
  • Custo e transparência: taxas menores e facilidade de negociação tornam ETFs alternativa cada vez mais popular.

Por enquanto, a fotografia mostra um investidor mais seletivo, que prefere reduzir exposição internacional ou buscar estruturas passivas. Resta acompanhar se a tendência muda caso a Selic recue de forma consistente ou o dólar volte a subir.

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