Gestor da CV Advisors chama de “loucura” a corrida por investimentos na Venezuela

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Miami (EUA) – A súbita busca de investidores por oportunidades na Venezuela, após a possível saída de Nicolás Maduro do poder, foi classificada como “loucura” por Elliot Dornbusch, presidente-executivo da CV Advisors, instituição que administra US$ 15 bilhões em ativos.

Em entrevista concedida nesta terça-feira (6), Dornbusch relatou que recebeu uma enxurrada de ligações de clientes e escritórios de gestão patrimonial querendo direcionar recursos para o país sul-americano. “Todos perguntam onde investir e se podemos encontrar ativos locais. Minha reação é: isso não faz sentido”, afirmou.

Gestor vê falta de bases para investir

Dornbusch enviou uma carta a seus investidores, obtida pela Bloomberg, na qual sustenta que nenhuma oportunidade relevante surgirá enquanto o Estado de direito e a democracia não forem restabelecidos. Segundo ele, a crise venezuelana é “profunda e sistêmica” e não será resolvida apenas com a retirada de um líder.

O executivo, nascido na Venezuela, estudou economia com foco no setor petrolífero antes de abrir uma construtora. Deixou o país em 2003, durante o governo Hugo Chávez, após mudanças na estatal Petróleos de Venezuela SA (PDVSA). Desde 2009, dirige a CV Advisors, sediada em Aventura, Flórida, que atende 135 famílias e instituições.

Ceticismo sobre a estratégia dos EUA

Na carta, Dornbusch também questiona a decisão do governo dos Estados Unidos de apoiar a remoção de Maduro e, ao mesmo tempo, incentivar investimentos na indústria de petróleo venezuelana. Para ele, o plano não deve prosperar nem trazer desenvolvimento econômico sem uma transição política completa.

A captura de Maduro e de sua esposa em Caracas, no sábado (3), levou Washington a declarar apoio à presidente interina Delcy Rodríguez, ex-vice de Maduro, com o objetivo de reativar o setor petrolífero do país, detentor das maiores reservas de petróleo do mundo. O movimento despertou discussões sobre aplicações em títulos inadimplentes, private equity, fundos de índice e imóveis.

“Não há como aproveitar esse momento. Falta liberdade, democracia e segurança jurídica de longo prazo”, resumiu Dornbusch.

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