O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, em reunião extraordinária, o adiamento da norma que impede a concessão de empréstimos rurais com juros subsidiados a produtores cujas áreas apresentem desmatamento posterior a julho de 2019.
Hoje, a obrigação já estava em vigor para áreas superiores a quatro módulos. A postergação alivia, por ora, a checagem via imagens de satélite que caberá aos bancos públicos e privados.
A decisão acontece às vésperas da divulgação do novo Plano Safra, principal programa de crédito rural do país. Nele, parte relevante dos recursos é oferecida com juros abaixo da Selic, graças a subsídios do Tesouro Nacional. Qualquer mudança nas exigências de acesso pode mexer com a demanda por esses empréstimos e, indiretamente, com a estratégia de caixa de bancos e cooperativas.
A norma faz parte de esforços para alinhar o crédito rural à legislação ambiental. Para o governo, o uso de satélites daria objetividade ao processo. Produtores, porém, temiam falsos positivos — quando a imagem indica desmate onde não houve infração — e alegavam falta de tempo para contestação antes de perder o acesso ao crédito.
Segundo o ministro da Agricultura, André de Paula, o adiamento garante o “direito de defesa” dos produtores. A prorrogação também dá mais tempo para o setor financeiro calibrar os sistemas de monitoramento, evitando potenciais travas no fluxo de empréstimos justamente no momento em que a safra exige capital de giro.
Imagem: Reuters
Com a Selic ainda em patamar de dois dígitos, linhas subsidiadas seguem vitais para a rentabilidade do campo. Quanto menor o custo do crédito, menor a pressão sobre preços de produtos agropecuários — fator que, em última instância, influencia o IPCA, a inflação oficial.
Por ora, investidores devem observar:
O CMN não sinalizou novas mudanças na regra até a data de entrada em vigor. Caso o cronograma seja mantido, 2027 marcará a primeira grande filtragem ambiental para quem busca crédito rural subsidiado no país.
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