Governo surpreende e registra superávit primário de R$ 25,2 bi em abril, mas resultado anual perde fôlego

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro1 hora atrás7 Visualizações

O Tesouro Nacional informou que o governo central — Tesouro, Banco Central e Previdência Social — fechou abril com superávit primário de R$ 25,2 bilhões. O número veio acima da mediana das estimativas de mercado (R$ 24,05 bilhões) e superou os R$ 18,2 bilhões de abril de 2025.

O que é superávit primário e por que ele importa

Superávit primário ocorre quando as receitas do governo superam as despesas antes do pagamento de juros da dívida. Esse resultado é acompanhado de perto por investidores porque sinaliza capacidade de pagamento do setor público. Contas públicas mais equilibradas costumam conter a alta da dívida bruta e podem influenciar os juros futuros, a precificação de títulos do Tesouro Direto e, indiretamente, o câmbio.

Receitas em alta real de 5,8%

  • Receitas líquidas: R$ 235,34 bilhões em abril.
  • Imposto de Renda: +R$ 4,8 bilhões (+5,7%).
  • Cofins: +R$ 4,5 bilhões (+14,4%).
  • Resultado líquido da Previdência: +R$ 4,1 bilhões (+7,2%).
  • IOF reajustado: +R$ 1,8 bilhão (+29,5%).

Parte desse crescimento reflete o desempenho da arrecadação federal e ajustes recentes em alíquotas, além de uma base comparativa de 2025 ainda impactada por incentivos temporários.

Despesas crescem, mas ficam abaixo da arrecadação

  • Despesas totais: R$ 210,14 bilhões (+3,3% em termos reais).
  • Pessoal e encargos sociais: +R$ 3,1 bilhões (+9,8%).
  • Benefícios previdenciários: +R$ 3,1 bilhões (+3,4%).

A elevação de gastos com pessoal reflete reajustes concedidos a servidores, enquanto o avanço nos benefícios acompanha o ritmo de aposentadorias e a correção anual pelo INPC.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Queda no acumulado do ano e déficit em 12 meses

Entre janeiro e abril, o superávit soma R$ 8,68 bilhões, recuo real de 87,6% ante igual período de 2025 (R$ 73,19 bilhões). Já no acumulado em 12 meses, o governo central exibe déficit de R$ 130,6 bilhões, equivalente a 0,97% do PIB.

O que ficar de olho daqui para frente

  • Arcabouço fiscal: O resultado de abril reduz parte da pressão, mas a meta anual depende do ritmo de arrecadação e da contenção de gastos nos próximos meses.
  • Juros e Selic: Contas públicas melhores tendem a aliviar prêmios de risco, mas a trajetória da Selic ainda responde mais à inflação corrente e às expectativas.
  • Dívida pública: Mesmo com superávit pontual, o déficit em 12 meses mostra que a dívida continua crescendo em termos nominais, fator monitorado por quem investe em títulos atrelados ao IPCA ou ao CDI.
  • Mercado de ações: Sinais de disciplina fiscal costumam favorecer empresas intensivas em capital doméstico, mas o impacto efetivo depende também do cenário global de juros.

Para o investidor iniciante, acompanhar a evolução das contas públicas ajuda a entender movimentos nos preços dos títulos do Tesouro Direto, na curva de juros e, por consequência, na precificação de ações e do dólar. O resultado de abril traz alívio, mas a tendência do ano ainda é de cautela com o balanço fiscal.

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