
A diária média de contratação de superpetroleiros no mercado à vista chegou a cerca de US$ 650 mil, mais de seis vezes o valor de janeiro de 2026, em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã e à instabilidade no Estreito de Ormuz. Segundo reportagem da The Economist publicada na semana de 26 de setembro, alguns dos poucos navios que atravessam a passagem recebem mais de US$ 1 milhão por dia.
A escalada ocorre mesmo com menos petróleo saindo da região. Os navios nunca foram tão disputados, porque as operações passaram a consumir mais tempo e a mobilizar mais embarcações para transportar as cargas. Esse gargalo pode encarecer também o frete de petróleo exportado pelo Brasil.
A falta de um superpetroleiro disponível para transportar uma carga brasileira até a China, por exemplo, pode exigir a contratação de dois navios menores, da classe Suezmax. De acordo com a The Economist, essa substituição amplia a procura pelas embarcações menores e pressiona suas tarifas, transmitindo a dificuldade logística do Oriente Médio a outras rotas.
A ligação com o mercado chinês tem peso nas vendas brasileiras de petróleo. Segundo o Conselho Empresarial Brasil-China, as exportações do produto ao país asiático alcançaram US$ 7,19 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026.
O aumento do frete eleva o custo de entregar o petróleo ao comprador, mas não representa, por si só, perda de receita para os produtores brasileiros. O efeito sobre cada empresa depende de quem arca com o transporte e do preço acertado pela carga.

Para evitar que navios de diferentes proprietários precisem cruzar Ormuz, petroleiros do Golfo percorrem trechos curtos pelo estreito e repassam o petróleo a outras embarcações ancoradas perto de Omã. A solução permite manter parte dos embarques, mas utiliza dois navios em etapas antes realizadas por apenas um.
Só a transferência da carga pode consumir de dois a três dias. Segundo a The Economist, aproximadamente 15% da frota mundial de superpetroleiros está concentrada na região de Omã.
Conhecidos como VLCCs, esses navios têm capacidade para transportar cerca de 2 milhões de barris cada. Enquanto ficam ocupados com percursos curtos ou aguardam carregamento, deixam de estar disponíveis para atender outras rotas.
O caminho alternativo pelo oeste da Arábia Saudita também encontra obstáculos. A ameaça dos houthis no mar Vermelho torna os trajetos mais longos. Além disso, um ataque de drone interrompeu recentemente o funcionamento do oleoduto que abastece o porto saudita de Yanbu.

Para os proprietários de petroleiros, a disputa pelas embarcações abriu uma oportunidade. A trading Trafigura anunciou, na semana de 26 de setembro, a criação da Volare Shipping, com seis superpetroleiros em operação e outros oito encomendados.
A empresa estuda levantar cerca de US$ 500 milhões com investidores para financiar a expansão da frota, antes de uma possível listagem em Oslo. O plano aposta na continuidade de uma demanda forte por navios, mas tanto a captação quanto a estreia na bolsa ainda não foram concluídas.
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