Hedge funds de cripto passam a negociar petróleo e ouro em plataformas que funcionam 24 horas

Estratégias de investimento11 horas atrás9 Visualizações

Gestores que construíram suas carteiras em torno de ativos digitais vêm direcionando parte do capital para commodities e índices tradicionais em plataformas baseadas em blockchain que operam dia e noite. A mudança ganhou força nos últimos meses, impulsionada pela redução dos ganhos em estratégias clássicas de criptomoedas e pelo aumento das tensões geopolíticas.

Negociação ininterrupta

Plataformas como Hyperliquid, Ostium e Lighter – criadas originalmente para negociação de tokens – passaram a oferecer contratos ligados a petróleo, cobre, ouro e até ao Nasdaq 100. Esses mercados liquidados em stablecoins funcionam sem câmara de compensação e permanecem abertos 24 horas por dia, sete dias por semana.

Na Hyperliquid, ativos tradicionais responderam por cerca de 30% do volume total em março. Na Ostium, onde o horário de funcionamento replica o dos mercados convencionais, essa participação superou 90% durante grande parte do último ano.

Geopolítica acelera movimento

Quando as tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã se intensificaram, a negociação de contratos de petróleo nos fins de semana disparou na Hyperliquid, oferecendo aos participantes uma leitura antecipada do risco antes da abertura das bolsas reguladas.

Estratégias se adaptam

Taylor Godwin, fundador do fundo Alpha EV, lançou a gestora em 2022 explorando operações de “basis trade” em Bitcoin. Com o spread anual caindo para 5%–6%, ele passou a olhar para commodities. No início deste ano, montou posição vendida em prata e comprada em cobre na Hyperliquid, obtendo retorno anualizado entre 20% e 30%. Atualmente, menos de 5% do patrimônio está alocado nesse tipo de operação, percentual que pode subir para até 20% conforme novas oportunidades surjam.

Pesquisa da Crypto Insights Group com 51 gestores que administram mais de US$ 3 bilhões apontou que 25% esperam que a maior parte da nova atividade na Hyperliquid venha de ativos tradicionais; quase metade projeta divisão equilibrada entre cripto e não cripto.

Arbitragem de “ativos do mundo real”

Kacper Szafran, responsável pelo fundo multimanager MSquared, relata ganhos mensais de 1% a 3% em arbitragem de preços entre venues on-chain e mercados tradicionais, contra cerca de 0,5% nas estratégias focadas apenas em tokens.

Nikita Fadeev, sócio-gerente da Fasanara Digital, executa operações neutras envolvendo ouro tokenizado e contratos perpétuos de ouro em plataformas como Binance e OKX, embora a ligação com bolsas regulamentadas, como a CME, ainda seja limitada.

Na Waves Digital Assets, Rajiv Sawhney prepara o lançamento de um fundo de “special situations” voltado a spreads entre commodities correlacionadas, como diferentes tipos de petróleo.

Liquidez cresce, mas riscos permanecem

Investidores de varejo também migraram para essas apostas, aprofundando a liquidez necessária para estratégias institucionais. Segundo o site rwa.xyz, o valor de mercado de ativos do mundo real tokenizados subiu cerca de 360% desde 2025, alcançando US$ 26,5 bilhões – ainda modesto frente aos mercados tradicionais, mas suficiente para atrair capital relevante.

Apesar do avanço, gestores alertam para desafios. As plataformas não seguem a mesma regulação de bolsas consolidadas, a liquidez ainda é restrita e desvios nos price feeds podem disparar liquidações de posições alavancadas. “Mesmo com oráculos trazendo preços reais para a blockchain, há risco de gaps quando o ativo subjacente é reprecificado”, afirma Ruchir Gupta, cofundador da Gyld Finance.

Para muitos fundos, entretanto, justamente essas ineficiências representam a oportunidade: em mercados novos, as distorções duram mais tempo, permitindo que as estratégias de arbitragem se fortaleçam.

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