Heineken vende menos cerveja no Brasil, mas aumenta lucro com preços e produtos premium

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoMercado Financeiro4 horas atrás10 Visualizações

A Heineken vendeu menos cerveja no Brasil no segundo trimestre, mas conseguiu aumentar a receita líquida e registrar forte crescimento do lucro operacional no país. O volume recuou na faixa média de um dígito, expressão usada para variações próximas de 5%, enquanto a receita avançou na faixa baixa de um dígito.

De acordo com a companhia, o mercado brasileiro de cervejas também caiu em proporção semelhante quando consideradas as vendas ao consumidor final. Houve, porém, melhora nas últimas semanas do trimestre.

O resultado mostra uma estratégia de proteção da rentabilidade em um mercado com menor volume de vendas. A Heineken atribuiu o crescimento do lucro operacional à combinação de preços mais altos, maior participação de produtos e canais mais rentáveis, ganhos de produtividade e redução de custos na cadeia de produção.

Fábrica em Minas Gerais ajudou a reduzir custos

Parte da melhora veio da cervejaria inaugurada em Passos (MG). A nova fábrica permitiu à Heineken otimizar a cadeia de suprimentos, aproximando a produção de alguns mercados consumidores e reduzindo a necessidade de transportar cerveja por distâncias maiores.

O desempenho resume um dos desafios da companhia: vender mais em mercados maduros ou enfraquecidos sem comprometer a rentabilidade. No Brasil, neste trimestre, a empresa conseguiu preservar a segunda parte dessa equação, mas não registrou crescimento de volume.

Ambev cresce 5% em volume no Brasil

O resultado da Heineken contrastou com o da Ambev. A concorrente registrou crescimento de 5% no volume de cerveja no Brasil entre abril e junho e afirmou ter ganhado participação em todos os segmentos, do mainstream ao premium.

Em entrevista após a divulgação do balanço, o diretor financeiro da Ambev, Guilherme Fleury, disse que a indústria cervejeira havia crescido entre 0,5% e 1% no período. Para o executivo, a diferença entre esse avanço e os 5% registrados pela companhia veio principalmente do ganho de participação da dona da Brahma.

Premium e cervejas sem álcool ganham espaço

Heineken e Ambev ampliaram os investimentos em cervejas premium, opções sem álcool e produtos associados à moderação, à saúde e ao bem-estar. Esses segmentos crescem mais rapidamente do que a cerveja tradicional ou permitem a cobrança de preços mais altos, conforme descrito pelas companhias.

Heineken vende menos cerveja no Brasil, mas aumenta lucro com preços e produtos premium - imagem 2

Na Heineken, a Amstel continuou ganhando espaço. O volume da Amstel Ultra mais que dobrou no trimestre, e o rótulo se tornou a principal marca brasileira no segmento de cervejas “ultra”. Essa categoria reúne produtos que destacam atributos como menor quantidade de calorias ou carboidratos.

A marca Heineken manteve a liderança no segmento premium, de acordo com a cervejaria. Já o portfólio de bebidas com pouco ou nenhum álcool cresceu na faixa dos 30% médios no Brasil.

Dentro dessa categoria, o volume da Heineken 0.0 avançou dois dígitos, enquanto o da Sol Zero mais que dobrou. A empresa também lançou a Heineken Ultimate 3.5%, uma cerveja sem glúten, com teor alcoólico reduzido e posicionada no segmento premium.

A estratégia da Ambev segue direção semelhante, com marcas distribuídas por diferentes ocasiões de consumo. O portfólio inclui Corona Cero e Skol 0.0, entre as opções sem álcool; Michelob Ultra, no segmento de menor teor calórico; e Spaten Pro, lançada recentemente como uma cerveja sem álcool com 10 gramas de proteína por lata.

A Ambev afirma ter ganhado mercado também no segmento premium, área em que a Heineken construiu sua principal fortaleza no Brasil. Fleury declarou que a Ambev assumiu a liderança da categoria no terceiro trimestre de 2025 e completou quatro trimestres consecutivos de aumento de participação.

Heineken perde participação nas Américas

A Heineken não detalhou sua fatia de mercado, mas reconheceu que perdeu espaço para concorrentes nas Américas. O diretor financeiro global da companhia, Harold van den Broek, afirmou que o desempenho da região ficou na direção contrária ao relatado por outras cervejarias.

“Naquele mercado, perdemos alguma participação, então não estamos satisfeitos com nosso próprio desempenho nas Américas”, disse o executivo em uma teleconferência com jornalistas.

No conjunto das Américas, o volume total da Heineken caiu 4,1% no segundo trimestre. A região teve desempenho diferente do registrado na Ásia-Pacífico, onde as vendas avançaram 13%, e na África e no Oriente Médio, que apresentaram crescimento de 3,5%.

Heineken vende menos cerveja no Brasil, mas aumenta lucro com preços e produtos premium - imagem 3

A força dos mercados emergentes ajudou a companhia a entregar um resultado global melhor do que o esperado. Os volumes consolidados cresceram 0,9% organicamente, enquanto os analistas esperavam uma leve queda. Considerando também as cervejas vendidas por parceiros licenciados, o avanço chegou a 1,9%.

Novo CEO assumirá em outubro durante reestruturação

O brasileiro Rafael Oliveira assumirá o comando global da Heineken em outubro. Ele vem da fabricante de cafés JDE Peet’s e será o primeiro executivo de fora da família ou da própria cervejaria a ocupar o cargo de CEO.

Oliveira chegará à companhia durante uma ampla reestruturação. A Heineken pretende eliminar entre 5 mil e 6 mil postos de trabalho, o equivalente a cerca de 7% de seu quadro global. Aproximadamente 3 mil vagas em período integral já haviam sido cortadas no primeiro semestre.

A companhia registrou lucro operacional ajustado de € 2,17 bilhões nos seis primeiros meses do ano, em linha com as projeções do mercado. Também manteve a estimativa de crescimento entre 2% e 6% para o lucro operacional em 2026.

Ações sobem após balanço, mas ficam atrás da AB InBev

As ações da Heineken chegaram a subir 3,5% em Amsterdã após a divulgação do balanço. No ano, os papéis acumulam valorização de cerca de 14%.

O desempenho, contudo, ainda fica distante do avanço de 34% da AB InBev, controladora da Ambev.

Ferramentas úteis para investidores

Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.

0 Votes: 0 Upvotes, 0 Downvotes (0 Points)

Deixe um Comentário

Comentários Recentes

    Trader Iniciante é um participante do Programa de Associados da Amazon.

    Pesquisar tendência
    Redação
    carregamento

    Entrar em 3 segundos...

    Inscrever-se 3 segundos...