Helen Greene atravessou mais de 50 anos de colapsos financeiros e saiu de cada um deles mais rica. Nascida Henrietta Holland Robinson, em 1834, em Massachusetts, ela herdou milhões de dólares — valor que, atualizado, alcançaria cifras bilionárias — e construiu uma estratégia baseada em disciplina, liquidez e paciência incomum para a época.
Filha de uma família ligada à indústria baleeira, Greene demonstrou habilidade com números desde cedo, acompanhando os relatórios financeiros do pai. Ao receber a herança, contrariou expectativas de ostentação e decidiu investir, guiada pelo princípio de que a verdadeira riqueza é preservada na adversidade.
Durante a Guerra Civil Americana (1861-1865), muitos investidores venderam títulos do governo norte-americano por receio de inadimplência. Greene enxergou preços depreciados como oportunidade e ampliou posições, adotando décadas antes a prática hoje chamada de value investing.
Com o estouro da bolha ferroviária, as cotações despencaram. No auge do pânico, Greene adquiriu ativos a centavos de dólar, consolidando a fama de “compradora de ruínas” que lhe renderia o apelido de “Bruxa de Wall Street”.
Quando mais de 500 bancos fecharam as portas em 1893, a investidora comprou carteiras hipotecárias inteiras. Em 1907, diante da suspensão de resgates bancários, passou a emprestar recursos ao sistema financeiro, sempre exigindo garantias reais e juros fixos. Segundo o apresentador Lucas Collazo, ela atuou com capital próprio no papel que o Federal Reserve assumiria anos depois.
Greene vestia-se quase sempre de preto, evitava hotéis luxuosos e carregava pessoalmente seus papéis. Gastar pouco fazia parte da estratégia de manter autonomia e caixa disponível para novas compras em tempos de crise.
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Suas anotações apontam cinco princípios: manter caixa, priorizar preço sobre tendência, exigir colateral em operações de crédito, evitar alavancagem e considerar paciência como posição estratégica. A abordagem antecedeu conceitos modernos de gestão de risco.
Em um período em que mulheres não podiam votar nem abrir contas bancárias sem autorização masculina, Greene emprestou dinheiro a bancos e municípios, contrariando normas sociais e legais do século XIX.
Helen Greene morreu em 1916, aos 81 anos, deixando patrimônio estimado em centenas de milhões de dólares — equivalentes a alguns bilhões atualmente — distribuído entre imóveis, títulos e participações ferroviárias. Seu modelo de gestão atravessou guerras, pânicos e depressões, sustentado pela convicção de que paciência e liquidez garantem poder em qualquer mercado.