O recuo de cerca de 11% em relação à máxima do ano devolveu preço ao Ibovespa e reacendeu o debate sobre até onde a Bolsa brasileira pode ir. Para Roberto Reis, diretor de investimentos da Meraki Capital, os próximos dias, marcados por novas pesquisas eleitorais, serão determinantes para definir se o mercado ganhou fôlego para subir ou se ainda haverá espaço para mais ajustes.
Segundo a gestora, a popularidade do governo atual passou a ser observada de lupa após denúncias envolvendo Flávio Bolsonaro. Caso as pesquisas mostrem perda de apoio relevante, o movimento pode pressionar os preços das ações no curto prazo.
Reis avalia que, em um cenário de virada eleitoral para um nome considerado mais comprometido com o ajuste fiscal, haveria chance de queda adicional de juros — hoje em 10,50% ao ano na Selic — e, consequentemente, maior valorização da Bolsa. Nas palavras do gestor, o índice “poderia dobrar e alcançar 400 mil pontos em até dois anos”, hipótese que depende diretamente de uma política fiscal crível.
Uma eventual queda da Selic aumentaria a atratividade de empresas menores, pois reduziria despesas financeiras e ampliaria o potencial de crescimento de lucro.
Enquanto investidores locais reduziram posição em ações, os estrangeiros compraram R$ 53 bilhões líquidos nos 12 meses até abril. Pessoas físicas aportaram apenas R$ 2,5 bilhões no período, comportamento explicado pelo juro real ainda elevado, que mantém boa parte do varejo na renda fixa atrelada a CDI e Tesouro Direto.
No front internacional, a Meraki acompanha a tentativa do governo dos Estados Unidos de encerrar o conflito com o Irã antes das eleições legislativas de novembro. Para a gestora, um desfecho positivo favoreceria o preço de commodities e abriria espaço para emergentes, como o Brasil, receberem capital, reforçando o argumento de corte de juros pelo Banco Central.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Após meses usando opções para proteger a carteira, a Meraki começou a desmontar parte dessas travas e a aumentar exposição em ações. A decisão reflete a percepção de que o nível de preços atual embute boa parte dos riscos e oferece relação risco/retorno mais atrativa.
A gestora, que completa cinco anos em 2024 e administra R$ 2,2 bilhões, pretende ainda ampliar sua atuação em fundações e endowments, segmento em que já conta com recursos da Fundação Lia Maria Aguiar, de cerca de R$ 700 milhões.
Para o investidor comum, o resumo prático é acompanhar a combinação entre eleições, juros e fluxo estrangeiro. Esses três vetores seguem ditando o humor do mercado e explicando por que, mesmo com a queda recente, a Bolsa brasileira pode tanto ganhar tração quanto enfrentar nova rodada de volatilidade.
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