ICMS sobre fretes soma R$ 14,2 bi em dois anos e revela peso da carga tributária na logística

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaMercado Financeiro13 horas atrás33 Visualizações

O setor de transportes desembolsou R$ 14,2 bilhões em ICMS entre 1º de janeiro de 2024 e 31 de dezembro de 2025, segundo análise da Qive, plataforma de gestão de contas a pagar que avaliou 194,2 milhões de CTes (Conhecimentos de Transporte Eletrônico) emitidos no período.

O que diz o levantamento

  • Foram registrados R$ 211 bilhões em fretes.
  • O volume movimentado chegou a 34,2 kg de mercadorias, segundo a base de dados*.
  • Varejo respondeu pelo maior número de viagens (52,1 milhões de CTes), mas exibiu um dos menores tickets médios: R$ 1,5 mil por operação.
  • Energia e Agronegócio lideraram em valor, com tickets médios de R$ 11,5 mil e R$ 5,4 mil, respectivamente, reflexo de rotas mais longas e cargas de maior peso agregado.

*A plataforma não detalhou se o volume total está em quilos ou toneladas; o dado foi reproduzido como publicado.

Como o imposto pesa no bolso das empresas

O ICMS é o principal tributo estadual que incide sobre circulação de mercadorias e serviços, incluindo o transporte de cargas. Cada estado define sua alíquota, que pode variar conforme origem, destino, tipo de produto e regime especial de tributação.

Na prática, o imposto compõe o preço final do frete e, por consequência, pode ser repassado ao consumidor em forma de produtos mais caros. Para companhias com margens apertadas, como boa parte do varejo, esse custo fiscal reduz espaço para investimentos ou promoções.

Por que isso importa para o investidor

  • Inflação e juros: custos logísticos mais altos pressionam preços ao consumidor. Em cenários de inflação persistente, cresce a chance de o Banco Central manter a Selic elevada por mais tempo, afetando renda fixa, ações e câmbio.
  • Margens de lucro: empresas de varejo, alimentos e agronegócio dependem de fretes competitivos. Qualquer aumento tributário ou falha no controle de documentos pode diluir os resultados trimestrais, refletindo no valor das ações.
  • Reforma tributária: a unificação do ICMS no futuro Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) é um dos pontos centrais da reforma em discussão. Alterações podem mudar fluxos de caixa, sobretudo em companhias de logística listadas na Bolsa.

Diferenças entre os setores

O estudo destaca a natureza “à vista” dos pagamentos no transporte. Enquanto muitos negócios B2B trabalham com prazos longos, o frete costuma ser quitado em poucos dias, reduzindo a janela para corrigir erros fiscais no CTe. Um documento mal preenchido significa imposto recolhido a maior e fluxo de caixa comprometido.

No varejo, o alto volume de notas e o baixo ticket médio elevam a probabilidade de inconsistências. Já no agronegócio e na energia, menos viagens de valor mais alto concentram a atenção em cada lançamento contábil.

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Imagem: Reprodução | Trader Iniciante

Concentração em São Paulo

São Paulo foi origem de 56,6% dos CTes analisados (6,9 milhões de documentos). A predominância deve-se ao cinturão logístico formado por Cajamar, Guarulhos, Barueri e Sumaré, polos que reúnem centros de distribuição de grandes varejistas e indústrias.

Para investidores, a informação reforça por que operadoras de galpões logísticos e companhias de infraestrutura rodoviária no Sudeste recebem atenção especial do mercado.

O que observar daqui para frente

  • Avanço da reforma tributária: mudanças na forma de cobrança podem reduzir disputas fiscais entre estados e simplificar a escrituração de fretes.
  • Digitalização: ferramentas que auditam CTes em tempo real tendem a ganhar espaço, minimizando riscos de pagamentos duplicados ou de glosas de crédito de ICMS.
  • Custos de combustíveis: diesel representa parcela relevante do frete. Qualquer oscilação de preços, somada ao ICMS, altera as projeções de margem de companhias ligadas ao transporte.

O mapeamento da Qive oferece um retrato de quanto o imposto estadual pesa na cadeia logística brasileira e serve de termômetro para empresas que buscam eficiência tributária em um ambiente de custos ainda elevados.

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