Inflação dos EUA sobe para 3,8% em abril; choque de energia gera maior alta desde 2023

Camila RochaCamila RochaDificuldades e desafiosagora mesmo6 Visualizações

O índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos avançou 0,6% em abril e acumulou alta de 3,8% em 12 meses, segundo o Bureau of Labor Statistics (BLS). É a maior leitura anual desde maio de 2023 e veio acima da projeção de 3,7% dos economistas consultados pela LSEG.

O que mostrou o relatório

  • Variação mensal: 0,6%, em linha com as expectativas.
  • Variação anual: 3,8%, acima do consenso.
  • Core CPI (exclui energia e alimentos): +0,4% no mês e +2,8% em 12 meses, ambos acima das estimativas de 0,3% e 2,7%, respectivamente.

O CPI é o principal termômetro da inflação ao consumidor nos EUA. Já o core CPI busca medir a tendência de preços sem a volatilidade de energia e alimentos, referências usadas pelo Federal Reserve para avaliar a pressão inflacionária de longo prazo.

Energia explica boa parte da surpresa

A guerra no Irã reduziu a oferta de petróleo do Oriente Médio e elevou os custos de energia, que responderam por mais de 40% do aumento mensal do CPI:

  • Preço de energia: +3,8% em abril; +17,9% em 12 meses.
  • Gasolina: +5,4% no mês; +28,4% em um ano.
  • Eletricidade: +2,8% no mês; +6,1% em 12 meses.

Esse choque pressiona empresas e famílias norte-americanas, sobretudo as de menor renda, que destinam fatia maior do orçamento para combustíveis e contas de luz.

Impacto nos mercados e por que o investidor deve acompanhar

Inflação acima do esperado costuma elevar a incerteza sobre a trajetória dos juros nos EUA. Sempre que o Fed sinaliza manter os Fed Funds em níveis elevados por mais tempo, o dólar tende a ganhar força e os rendimentos dos títulos do Tesouro sobem, influenciando:

  • CDI e Selic: taxas brasileiras muitas vezes acompanham o movimento externo.
  • Bolsa: juros mais altos lá fora podem reduzir o apetite por risco em mercados emergentes.
  • Dólar: valorização da moeda norte-americana pesa sobre empresas exportadoras e investidores que aplicam no exterior.
  • Renda fixa: títulos públicos atrelados à inflação se tornam alternativa para proteger portfólios.

Para quem está começando a investir, acompanhar o CPI ajuda a entender por que ativos de renda variável sofrem oscilações após dados de inflação e como eventos geopolíticos, como a guerra no Irã, repercutem nos preços.

Inflação dos EUA sobe para 3,8% em abril; choque de energia gera maior alta desde 2023 - Imagem do artigo original

Imagem: Eric Revell FOXBusiness

Itens que mais pressionaram o bolso nos EUA

  • Alimentação: +0,5% no mês; +3,2% em 12 meses.
  • Almoço em casa (supermercado): +0,7% no mês.
  • Refeições fora de casa: +0,2% no mês.
  • Habitação (aluguel e equivalentes): +0,6% no mês; +3,3% em 12 meses.
  • Transporte aéreo: +2,8% no mês; +20,7% em 12 meses.

Os aumentos em moradia e transporte reforçam o impacto da inflação em serviços, segmento mais difícil de desacelerar e que costuma embutir pressões salariais.

Ponto de atenção: distorção estatística

O BLS lembrou que os dados de outubro e novembro foram coletados de forma alternativa durante o shutdown de 43 dias do governo norte-americano no ano passado. Economistas apontam que isso pode ter suavizado os números até abril, devendo se normalizar nos próximos meses.

Próximos dados no radar

  • Relatório de emprego (payroll) de maio.
  • Reunião do Federal Reserve em junho, com atualização de projeções.
  • Indicadores de inflação de serviços e expectativas de consumidores.

Esses números ajudarão a definir o rumo dos juros globais e, por consequência, o comportamento de dólar, Bolsa e títulos públicos no Brasil. Investidores iniciantes devem ficar atentos ao calendário econômico para entender oscilações nos seus investimentos.

Ferramentas úteis para investidores

Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.

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