Relatórios recentes da Anthropic, desenvolvedora do modelo Claude, apontam que atividades realizadas com auxílio de inteligência artificial (IA) podem ser concluídas, em média, 80% mais rapidamente. Caso a tecnologia se difunda amplamente, o crescimento da produtividade do trabalho nos Estados Unidos poderia alcançar 3,2% ao ano na próxima década — quase o dobro dos 1,4% registrados entre 2021 e 2025.
Os ganhos não são uniformes entre profissões. Para docentes, a preparação de um conteúdo programático que costuma levar cerca de quatro horas e meia seria finalizada em pouco mais de dez minutos, redução de 96%. Entre assistentes administrativos, tarefas de elaboração de relatórios e textos mostraram economia de tempo próxima de 60%.
As estimativas não incluem o período gasto na revisão dos resultados produzidos pela IA. Além disso, etapas que não se beneficiam diretamente da tecnologia podem tornar-se gargalos, restringindo o efeito sobre a produtividade total.
Para que o potencial se confirme, a IA precisaria ser incorporada de forma ampla, o que ainda não ocorre. O uso per capita é maior em nações de alta renda, e quase metade da utilização global está restrita a 20 países. Dentro dos próprios países, a tecnologia se concentra em regiões e setores com maior presença de profissionais de computação e matemática.
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O nível educacional do trabalhador também influencia: tarefas mais complexas exigem maior capacidade de interação com o sistema. Como há uma curva de aprendizado, quem adota primeiro tende a manter vantagem, aprofundando diferenças já existentes.
No ranking de 116 economias analisadas, o Brasil aparece na 61ª posição, com índice de uso de 0,79. Os Estados Unidos, na quinta colocação, registram 4,58. Especialistas ressaltam que a defasagem educacional aumenta o risco de o país ficar ainda mais distante dos benefícios trazidos pela adoção precoce da IA.