Investidores dos EUA mantêm preferência por ações de bancos brasileiros, mas veem risco na qualidade dos ativos, aponta Citi

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São Paulo, 27 de abril de 2026 – Em reuniões recentes com clientes norte-americanos, o Citi identificou que o Brasil segue como o mercado favorito da América Latina para investidores dos Estados Unidos. O interesse, segundo o banco, é guiado por uma visão macroeconômica favorável ao país.

Posicionamento concentrado em três nomes

De acordo com o Citi, os estrangeiros continuam majoritariamente alocados em Itaú Unibanco (ITUB4), BTG Pactual (BPAC11) e B3 (B3SA3). O movimento não se baseia em teses individuais, mas em uma aposta ampla no setor financeiro brasileiro.

Nubank perde espaço

Apesar de intensos debates sobre o Nubank (ROXO34), o fluxo de capital estrangeiro tem sido de redução ou saída do papel. A deterioração da qualidade dos ativos no país, a possível saturação do crédito sem garantia e dúvidas sobre a expansão para os Estados Unidos explicam a cautela.

Qualidade dos ativos no radar

A principal preocupação apontada pelos investidores está no nível de endividamento das famílias brasileiras, agravado pelos juros ainda elevados. O Citi relata receio de que um novo ciclo de crédito esteja próximo, penalizando bancos expostos a segmentos de maior risco, como Nubank e Inter.

Já o perfil conservador do Itaú e a menor ciclicidade do BTG Pactual são vistos como fatores de proteção. O Bradesco (BBDC4) foi citado como “no caminho certo”, embora a recuperação da rentabilidade deva demorar. Em contrapartida, o Banco do Brasil (BBAS3) é considerado pouco atrativo no momento pela incerteza sobre o tamanho dos empréstimos problemáticos no agronegócio.

B3 e alternativas de investimento

A B3 continua sendo percebida como uma via direta para exposição ao Brasil, graças à baixa volatilidade dos lucros, à perspectiva de cortes na Selic e à política de dividendos robusta. Parte dos investidores, contudo, demonstra desconforto com o valuation em torno de 15 vezes o lucro, questionando se a companhia pode reduzir a distância para pares globais que negociam entre 20 e 25 vezes.

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Imagem: Anna Scabello via moneytimes.com.br

Nesse contexto, a XP Investimentos (XPBR31) surge como opção potencial quando o prêmio da B3 se eleva, embora ainda sem consenso entre os gestores.

Interesse fora do Brasil

Fora do mercado brasileiro, Banorte e Credicorp permanecem como as principais posições mantidas pelos investidores dos EUA. Por outro lado, empresas de pagamentos e seguradoras latino-americanas continuam fora do radar.

O Citi conclui que, apesar do “samba” animado das ações financeiras brasileiras, a evolução da qualidade dos ativos será determinante para a manutenção do otimismo estrangeiro.

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