![IPCA+8% chama atenção, mas gestores veem dólar como peça-chave para o 2º semestre 4 [Renda Fixa] IPCA+8% chama atenção, mas gestores veem dólar como peça-chave para o 2º semestre](https://traderiniciante.com.br/wp-content/uploads/2026/06/traderiniciante-1782862035.webp)
O Tesouro Direto voltou a oferecer NTN-B pagando IPCA + 8% ao ano. Para muitos investidores, a taxa soa como convite para concentrar recursos em casa. Vários gestores, porém, alertam que esse rendimento “não é de graça” e que o segundo semestre deve ser acompanhado com os olhos no mercado internacional e, especialmente, no dólar.
Segundo Marc Foster, da Franklin Templeton Brasil, a remuneração real elevada é atraente, mas não elimina o benefício de manter parte do patrimônio na “moeda forte”. O argumento principal é a diversificação: o Brasil representa menos de 2% do mercado financeiro global, o que limita oportunidades e aumenta a exposição a riscos locais, como eleições presidenciais e decisões de política fiscal.
Para o investidor iniciante, vale lembrar que:
O semestre começou com Kevin Warsh assumindo a presidência do Federal Reserve e desmontando parte da comunicação tradicional do banco central dos EUA. A mudança, descrita por Marcelo Cabral, da Stratton Capital, retira uma “âncora” que o mercado usava há 30 anos para precificar ativos.
Para o brasileiro que já investe fora, a consequência prática é um redesenho da curva de juros americana. O cenário de juros altos foi mantido e há risco de novas altas já embutido nos preços dos Treasuries (títulos públicos dos EUA).
Cabral e Bruno Perri, da Fórum Investimentos, apontam para os Treasuries de 2 a 3 anos como faixa preferencial. A lógica é simples:
Entre títulos corporativos, há duas vias:
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
A Franklin Templeton mantém visão positiva para big techs, mas observa que os preços atuais exigem paciência: muitos investimentos ainda precisam se provar nos balanços. Já Cabral vê o “ciclo da IA” como estruturante, lembrando que cinco hyperscalers planejam mais de US$ 700 bilhões em infraestrutura apenas neste ano.
Ao mesmo tempo, o petróleo volta ao radar depois do bloqueio no Estreito de Ormuz. A interrupção expôs fragilidades logísticas e elevou o “piso” de preço do barril, beneficiando empresas ligadas a oleodutos, armazenagem e equipamentos.
No exterior, os hedge funds (equivalentes aos multimercados locais) apresentam retorno superior ao observado no Brasil. Para Daniel Popovich, da Franklin Templeton, usar hedge cambial permite capturar parte do diferencial de juros brasileiro e ainda ganhar em diversificação de estratégias, algo valioso num momento de bolsas valorizadas e curvas de juros cheias de incerteza.
Com eleições no horizonte, um Fed em transformação e setores globais recebendo investimentos bilionários, gestores reforçam que permanecer apenas no IPCA + 8% pode custar caro em termos de oportunidades perdidas e proteção de portfólio. A palavra-chave permanece sendo diversificação — não especulação.
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