
O bilionário John Paulson vai destinar US$ 250 milhões, aproximadamente R$ 1,3 bilhão, à Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel. Anunciada pela instituição em Jerusalém no sábado, 17 de outubro de 2026, a contribuição é a maior doação individual de sua história e será usada no desenvolvimento de programas de engenharia, medicina e recuperação de traumas.
A universidade, que teve Albert Einstein entre seus fundadores há mais de um século, dará ao campus Monte Scopus o nome do investidor e de sua esposa, Alina. Com o novo compromisso, o total destinado por Paulson à instituição chegará a quase US$ 300 milhões.
Em comunicado, o presidente da universidade, Tamir Sheafer, apresentou a contribuição como uma demonstração profunda de confiança no capital humano israelense. Segundo ele, os recursos permitirão contratar professores de destaque internacional, apoiar estudantes excepcionais, equipar laboratórios avançados e converter ideias ambiciosas em avanços capazes de transformar vidas.
Aos 70 anos, Paulson já fez grandes contribuições a Harvard e à Universidade de Nova York, a NYU, instituições nas quais estudou. Seu interesse pela Universidade Hebraica foi despertado pela produtividade da instituição, sobretudo na inovação científica.
A universidade é uma instituição pública de pesquisa. Seus professores e ex-alunos, juntamente com Einstein, reúnem dez prêmios Nobel nas áreas de química, física e economia.
Em entrevista em Jerusalém, Paulson disse que buscava uma iniciativa com impacto e que, depois de pesquisar universidades, decidiu concentrar sua atenção naquele momento na Universidade Hebraica.

A escolha também reflete uma mudança na distribuição de suas contribuições filantrópicas. De acordo com o investidor, Israel concentra atualmente entre 50% e 60% dessa atividade. Uma década antes, 98% de suas doações tinham outros destinos.
A contribuição busca expressar apoio e solidariedade internacional a Israel após o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023 e diante das críticas à dimensão da guerra de retaliação israelense em Gaza. A crise no Oriente Médio também provocou confrontos entre estudantes em Harvard e em outros campi dos Estados Unidos.
Paulson afirmou que Israel enfrenta grandes desafios para se defender e avaliou que este é um momento de ampliar o apoio ao país e às suas instituições. Ao justificar sua posição, descreveu a economia israelense como vibrante, democrática, pluralista e avançada, e disse que suas conquistas deveriam ser motivo de orgulho.
Paulson ficou conhecido no mercado financeiro por apostar contra títulos lastreados em hipotecas antes da crise de 2008. A operação gerou US$ 15 bilhões para sua gestora.
Em 2020, a empresa passou a funcionar como um family office, estrutura dedicada à gestão do patrimônio familiar. A fortuna do investidor é estimada em US$ 8,8 bilhões pelo índice de bilionários da Bloomberg.
O montante acumulado de quase US$ 300 milhões para a Universidade Hebraica coloca as contribuições à instituição em um patamar comparável ao das grandes doações que Paulson já fez a universidades americanas. A NYU recebeu mais de US$ 100 milhões do investidor. Para Harvard, ele anunciou US$ 400 milhões em 2015, a maior doação da história da universidade até aquele momento.

Apesar da nova contribuição em Israel, Paulson afirmou que mantém seu apoio a Harvard. A universidade informou na quinta-feira que arrecadou US$ 1,5 bilhão no ano encerrado em junho.
O investidor elogiou os esforços da direção para incorporar perspectivas diferentes, em resposta à crítica de que a instituição tem poucos pontos de vista conservadores. Na avaliação dele, Harvard havia se deslocado excessivamente à esquerda, criando um desequilíbrio na diversidade de opiniões, e agora procura retomar uma posição mais ao centro.
Paulson disse que está financiando fundos patrimoniais de apoio a professores para contribuir com esse reequilíbrio de perspectivas.
Ele é o segundo grande doador de Harvard a anunciar uma contribuição expressiva a outra universidade nas últimas semanas. Ken Griffin, que já destinou mais de US$ 500 milhões a Harvard, está doando US$ 3 bilhões à Universidade Carnegie Mellon. Uma parcela desses recursos ajudará a financiar um novo campus em Miami, cidade para a qual Griffin transferiu sua empresa de investimentos.
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