Jovens adiam saída de casa nos EUA: alta de 34% nos imóveis trava novos lares

Camila RochaCamila RochaDificuldades e desafios12 horas atrás8 Visualizações

O chamado “ninho vazio” voltou a ser ocupado nos Estados Unidos. Novos dados da Realtor.com revelam que 25,2 milhões de adultos com menos de 35 anos — cerca de um terço dessa faixa etária — continuam vivendo com os pais em 2025.

Salários existem, casas não

Segundo a pesquisa, 70% dos jovens de 25 a 34 anos que moram com a família têm emprego e, em muitos casos, diploma universitário. O empecilho, portanto, não é renda, mas oferta: o país tem déficit estimado de 4 milhões de unidades habitacionais, sobretudo de entrada (“entry-level”), aquelas com metragem e preço mais baixos que costumam abrir a porta do mercado imobiliário para o primeiro imóvel.

O preço da escassez

  • Preço mediano de anúncio: US$ 430 000 — alta de 34,4% desde 2019.
  • Aluguel médio anunciado: US$ 1 673 — aumento de 17,9% no mesmo período.
  • Idade média do comprador estreante: 40 anos.

Não por acaso, em 2000 apenas um em cada nove empregados na faixa dos 25 aos 29 anos morava com os pais; em 2025, já é quase um em cada sete.

Efeito dominó na economia

Cada jovem que posterga a mudança representa um lar não formado, um aluguel não assinado e um financiamento não contratado. Isso limita a construção de patrimônio por meio da chamada equity imobiliária — a parcela paga do imóvel que cresce com o tempo — e reduz o consumo de bens duráveis ligados à casa própria.

Por que isso importa para o investidor brasileiro

A dificuldade de acesso à moradia nos EUA tem reflexos que atravessam fronteiras:

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Imagem: Sophia Compt FOXBusiness

  • Construtoras listadas em Wall Street: menor giro de “starter homes” pode impactar as vendas dessas companhias.
  • REITs (fundos imobiliários americanos): escassez de casas tende a sustentar aluguéis, influenciando dividendos desses veículos, acessíveis via BDR ou corretoras internacionais.
  • Mercado de juros: a falta de oferta pressiona preços, sustenta a inflação de abrigos e complica o trabalho do Federal Reserve. Taxas mais altas nos EUA costumam fortalecer o dólar frente ao real, movimento que investidores de renda fixa e Bolsa acompanham de perto.
  • Comparação com o Brasil: aqui, a Selic elevada esfriou o crédito imobiliário em 2023-24, mas programas de habitação popular amorteceram parte do impacto. Entender o que acontece no maior mercado do mundo ajuda a avaliar tendências de oferta, custo de construção e fluxo de capitais.

Projeção de longo prazo assusta

Para o economista-chefe da National Association of Realtors, Lawrence Yun, o preço mediano nacional poderá atingir US$ 1 milhão em 2050, exatamente quando muitos millennials estiverem perto da aposentadoria. O número não é previsão de valorização garantida, mas ilustra como o descompasso entre oferta e demanda pode persistir se o ritmo de construção não acelerar.

Enquanto isso, cada ano adicional no quarto de infância adia a independência financeira de uma geração e cria uma demanda latente que pode explodir quando — e se — a combinação de juros menores, renda e novas unidades tornar a compra ou o aluguel de um imóvel novamente acessível.

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