Juros da dívida e gastos sociais ampliam déficit dos EUA e aproximam rombo anual de US$ 2 trilhões

Camila RochaCamila RochaDificuldades e desafios4 minutos atrás7 Visualizações

O déficit do governo dos Estados Unidos voltou a acelerar em 2026. Segundo revisão mensal do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), o rombo acumulado nos primeiros nove meses do ano fiscal atingiu US$ 1,373 trilhão, valor US$ 35 bilhões maior que o registrado no mesmo período de 2025.

Déficit já supera o de 2025

Com o resultado parcial, o órgão projeta que o saldo negativo poderá ultrapassar US$ 2 trilhões até setembro, encerramento do ano fiscal norte-americano. Se confirmado, será um dos maiores déficits da história dos EUA, mesmo em um cenário de crescimento econômico e baixo desemprego.

Juros mais altos pesam no caixa americano

O item que mais pressionou as contas foi o custo da dívida pública. O pagamento de juros avançou US$ 98 bilhões (alta de 13%) frente ao ano anterior, reflexo:

  • do estoque recorde da dívida, hoje acima de US$ 39 trilhões;
  • de taxas de juros de longo prazo mais elevadas depois da forte alta promovida pelo Federal Reserve a partir de 2022.

Para o investidor brasileiro, isso ajuda a explicar por que os Treasuries vêm oferecendo rendimentos historicamente altos, fato que costuma atrair capital para os EUA e pressionar moedas de países emergentes, incluindo o real.

Programas obrigatórios ampliam a conta social

Logo depois dos juros, os maiores aumentos de despesa vieram dos programas obrigatórios — nos EUA chamados de entitlements:

  • Social Security (aposentadoria): +US$ 62 bilhões (+5%);
  • Medicare (saúde para idosos): +US$ 58 bilhões (+8%);
  • Medicaid (saúde para famílias de baixa renda): +US$ 49 bilhões (+10%).

O CBO lembra que os fundos do Social Security e do Medicare podem se esgotar em até sete anos, caso nada seja ajustado — o que abriria caminho para cortes automáticos de benefícios.

Receita sobe, mas não acompanha o ritmo das despesas

A arrecadação total avançou US$ 142 bilhões, puxada por:

Juros da dívida e gastos sociais ampliam déficit dos EUA e aproximam rombo anual de US$ 2 trilhões - Imagem do artigo original

Imagem: Eric Revell FOXBusiness

  • impostos sobre renda e folha de pagamento: +US$ 169 bilhões (+5%);
  • tarifas alfandegárias: +US$ 55 bilhões (+51%), antes da devolução de US$ 70 bilhões determinada pela Suprema Corte em maio e junho.

Mesmo com a alta na receita, o crescimento de 5% ficou aquém do avanço de 7% nas despesas, ampliando o desequilíbrio fiscal.

O que isso significa para o investidor brasileiro

Dólar e juros globais: déficits maiores tendem a manter a emissão de títulos americanos em alta, o que pode sustentar rendimentos elevados nos Treasuries e, por consequência, fortalecer o dólar.

Mercado de ações: custos de financiamento maiores nos EUA podem reduzir a liquidez para mercados emergentes, influenciando o fluxo para a Bolsa brasileira.

Renda fixa local: se os juros longos dos EUA permanecerem altos, o Banco Central do Brasil pode ter menos espaço para cortes agressivos na Selic, o que altera o retorno de títulos indexados ao CDI ou ao Tesouro Direto.

Em resumo, o avanço do déficit americano é um dado que vale acompanhar. Embora seja um tema doméstico dos EUA, seus efeitos se espalham por taxas de juros globais, câmbio e apetite por risco — variáveis que impactam diretamente a carteira do investidor no Brasil.

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