A curva de juros brasileira encerrou a sessão desta quarta-feira (8) em queda acentuada, refletindo o alívio nas tensões geopolíticas após o anúncio de um cessar-fogo de duas semanas entre Estados Unidos e Irã.
• O DI para janeiro de 2027 caiu para 13,925%, ante 14,145% no ajuste anterior (recuo de 22 pontos-base).
• O contrato para janeiro de 2029 fechou a 13,345%, contra 13,680% na véspera (queda de 33,5 pontos-base).
• No longo prazo, o DI para janeiro de 2036 terminou em 13,600%, frente a 13,795% na terça-feira.
Com o movimento de risk-on, a curva passou a embutir chance de corte de 50 pontos-base na Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para o fim de abril. Segundo Luciano Rostagno, estrategista-chefe da EPS Investimentos, a aposta em redução de 50 pontos-base subiu para 40%, enquanto a probabilidade de corte de 25 pontos-base ficou em 60%. Na véspera, o mercado atribuía 92% de chance a um ajuste de 25 pontos-base e apenas 8% à manutenção da taxa, hoje em 14,75% ao ano.
Para dezembro de 2026, a projeção implícita da Selic recuou de 13,70% para 13,19%.
Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries acompanharam o alívio global: o yield de dois anos caiu de 3,833% para 3,792%, enquanto o retorno do título de dez anos diminuiu de 4,343% para 4,295%.
O petróleo Brent desvalorizou mais de 13%, fechando a US$ 94,75 o barril, o que reduziu receios de um novo choque inflacionário. A ferramenta FedWatch, do CME Group, aponta agora 54,1% de chance de o Federal Reserve iniciar o ciclo de cortes de juros a partir de julho do próximo ano; na véspera, a aposta predominante era entre setembro e outubro de 2027. A taxa básica norte-americana permanece na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano.
Imagem: Liliane de Lima via moneytimes.com.br
Em evento do Bradesco BBI em São Paulo, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, destacou a forte redução de prêmios na curva doméstica. Segundo ele, embora a Selic exiba hoje “mais gordura” do que há seis meses, o conflito no Oriente Médio ainda representa risco relevante aos preços.
O acordo de cessar-fogo firmado na noite de terça-feira suspendeu a guerra iniciada em 28 de fevereiro. O Paquistão informou que Teerã participará de conversas com Washington na próxima sexta-feira (10) em Islamabad. Mais cedo, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, relatou violações do cessar-fogo após ataques às ilhas de Lavan e Siri, sem identificar o autor.
Com a redução dos riscos geopolíticos, investidores diminuíram os prêmios de proteção, impulsionando a queda dos juros no Brasil e nos Estados Unidos.