Juros futuros recuam com mercado reforçando aposta de corte da Selic em agosto

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções15 horas atrás14 Visualizações

As taxas de Depósitos Interfinanceiros (DIs) com vencimentos de curto e médio prazos voltaram a cair nesta sexta-feira (26), refletindo o aumento das apostas de que o Banco Central poderá reduzir a taxa básica Selic em agosto.

Curva curta cede após dados de inflação

O contrato para janeiro de 2028 recuou 11 pontos-base, para 14,14% ao ano, enquanto a ponta longa – janeiro de 2035 – ficou praticamente estável em 14,31%. A movimentação sucede quatro sessões seguidas de baixa e foi impulsionada pelo IPCA-15 de junho, que mostrou desaceleração nos preços de serviços e nos chamados núcleos inflacionários.

No mercado, um ponto-base equivale a 0,01 ponto percentual. Logo, uma queda de 11 pontos-base significa que a taxa diminuiu 0,11 ponto percentual em relação ao ajuste anterior.

BC em foco: por que a Selic pode cair

  • A Selic está em 14,25% ao ano desde março.
  • Dirigentes do Banco Central indicaram que ainda não há decisão tomada, mas não afastaram a possibilidade de corte de 0,25 p.p. em agosto.
  • Inflação mais comportada e menor pressão do câmbio e do petróleo reforçam o espaço para redução dos juros, segundo operadores.

O que são DIs e por que eles importam ao investidor

Os contratos de DI projetam a taxa de juros que o mercado espera para determinados prazos futuros. Quando essas taxas caem, títulos de renda fixa indexados ao CDI tendem a oferecer rendimentos projetados menores, enquanto o preço de papéis prefixados pode subir.

Para quem investe:

  • Renda fixa atrelada ao CDI pode perder atratividade relativa se a Selic cair.
  • Títulos prefixados e atrelados à inflação (Tesouro IPCA+) costumam se valorizar quando o mercado antecipa juros menores.
  • No mercado acionário, setor de consumo e empresas mais sensíveis a juros geralmente reagem bem a expectativas de cortes.

Petróleo e Treasuries aliviam pressão inflacionária

O barril do Brent recuou para perto de US$ 72, quase US$ 20 abaixo do patamar de um mês atrás, quando as tensões no Oriente Médio eram mais intensas. A queda da commodity reduz custos de energia e transporte, fatores relevantes na formação de preços no Brasil.

Nos Estados Unidos, o rendimento do Treasury de 10 anos cedeu para 4,37% ao ano. Juros menores lá fora costumam reduzir a pressão sobre a curva brasileira, pois diminuem o diferencial exigido por investidores estrangeiros.

Outros números do dia

  • A taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua ficou em 5,6% no trimestre móvel até maio, menor nível para o período desde o início da série.
  • A dívida pública federal subiu 2,66% em maio, alcançando R$ 9,03 trilhões.
  • O Tesouro Nacional cancelou, nesta semana, o leilão de NTN-B diante de “dificuldade técnica” do mercado, mas sinalizou que a situação já melhorou.

Para o investidor, os dados reforçam um cenário de inflação em descompressão, atividade resiliente e possível flexibilização monetária. Ainda assim, a ponta longa da curva segue estável, lembrando que expectativas fiscais e cenário externo continuam influenciando as projeções de juros de prazo mais longo.

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