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Investidores que compraram títulos do Tesouro IPCA+ apostando em ganhos velozes com a marcação a mercado enfrentam, neste fim de março, rendimentos negativos nos extratos. A taxa real de papéis como as NTN-Bs segue acima de 7,80% ao ano, contrariando a expectativa de recuo rápido dos juros que dominou as recomendações de renda fixa no fim de 2023.
Segundo analistas, a combinação de guerra no Oriente Médio, mudança no ritmo de corte da Selic e incertezas eleitorais manteve o prêmio de risco elevado. “Muitos trataram uma leitura de cenário como certeza de retorno”, afirma José Aureo Viana, sócio da Blue3 Investimentos.
Robson Casagrande, da GT Capital, complementa que o mercado projetou um fechamento de curva que dependia de “cenário perfeito”, o que não se concretizou. Já Cleiton Souza, da Private Investimentos, aponta o horizonte curto de aplicação como principal equívoco: “O problema não foi a tese, foi o prazo”.
Apesar da sensação de “lenda urbana”, a lógica econômica permanece, diz João Pedro Moreno, analista da Nexgen Capital. Para Viana, o movimento apenas se tornou “mais demorado, volátil e dependente de fatores fiscais”.
Para quem não precisa de liquidez imediata, especialistas recomendam carregar o título até o vencimento. “Vender só para estancar o desconforto transforma perda contábil em prejuízo real”, observa Viana. Caso o investidor tenha usado recursos de curto prazo em papéis longos, Casagrande vê sentido em reduzir posição, mesmo com deságio, para alinhar o portfólio ao objetivo.
Imagem: Pixabay via infomoney.com.br
Moreno sugere Tesouro IPCA+ com vencimentos mais próximos, como 2026 ou 2030, que sofrem menos com oscilações. Fundos de inflação com gestão ativa e títulos de crédito privado isentos — CRIs, CRAs e debêntures incentivadas — também aparecem como opção, mas exigem análise de risco de crédito, adverte Casagrande.
Com as taxas reais ainda nos maiores níveis desde 2016, os especialistas defendem que o Tesouro IPCA+ recupere seu papel original de preservação de patrimônio. “O ganho de capital deve ser visto como bônus, não como motivo principal da alocação”, resume Viana.
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