O ex-diretor do Federal Reserve Kevin Warsh foi oficialmente indicado pelo ex-presidente Donald Trump para assumir a presidência do banco central norte-americano, em substituição a Jerome Powell, cujo mandato termina em maio. Warsh será sabatinado nesta terça-feira pelo Comitê Bancário do Senado, etapa decisiva para a confirmação.
Trump anunciou a escolha em janeiro, por meio de uma postagem na rede Truth Social, na qual afirmou conhecer Warsh “há muito tempo” e disse não ter dúvidas de que ele será “um dos grandes presidentes do Fed”.
Nascido em 1970, Warsh formou-se em políticas públicas pela Universidade de Stanford e concluiu o curso de direito em Harvard. Assim como Powell, ele não possui diploma formal em economia.
Antes de entrar no setor público, trabalhou no Morgan Stanley. Em 2002, juntou-se ao governo George W. Bush e, em 2006, foi indicado para o Conselho de Governadores do Fed, tornando-se, aos 35 anos, o mais jovem ocupante do cargo. Permaneceu no posto até 2011.
Desde então, atuou como pesquisador visitante do Hoover Institution e da Graduate School of Business de Stanford, integra o conselho da UPS e é trustee do Group of Thirty, além de fazer parte do Painel de Consultores Econômicos do Escritório de Orçamento do Congresso.
Warsh já esteve cotado para comandar o Fed em 2017, quando Janet Yellen deixou o cargo, mas Trump preferiu Powell. No outono passado, seu nome também circulou para a Secretaria do Tesouro, função que acabou destinada ao gestor de fundos Scott Bessent.
Imagem: Eric Revell via foxbusiness.com
Conhecido como um “falcão” no combate à inflação, Warsh criticou publicamente a atuação de Powell, classificando os modelos do banco central como “ultrapassados” e defendendo mudanças profundas. Ainda assim, chegou a afirmar em outubro, durante entrevista à Fox News, que havia espaço para redução dos juros, desde que houvesse “mudança de regime” no Fed.
Apesar de ter sido contrário a políticas protecionistas, declarou no último verão que as tarifas impostas pelo governo não provocariam inflação duradoura. Após os anúncios de tarifas na última primavera, a inflação subiu para perto de 3% — acima da meta de 2% — e, segundo as projeções do banco central, deverá convergir gradualmente até 2026, caso não ocorram novas barreiras comerciais.
No período em que integrou o Fed, Warsh questionou a estratégia de manter juros baixos por tempo prolongado e de ampliar a compra de títulos do Tesouro durante a crise imobiliária de 2008. Seus vínculos com Wall Street fizeram dele o principal elo da instituição com o setor bancário naquele momento.
A audiência desta terça deverá concentrar-se em esclarecer qual será a orientação de Warsh para a política monetária, especialmente diante da combinação de inflação elevada e desaceleração do mercado de trabalho que dificulta cortes de juros no curto prazo.