![Relatório revela avanço da lavagem de dinheiro via criptomoedas por facções do narcotráfico no Brasil 4 [Mercado Financeiro] Relatório revela avanço da lavagem de dinheiro via criptomoedas por facções do narcotráfico no Brasil](https://mlxc2yjmu1wd.i.optimole.com/cb:AlgU.532/w:1280/h:853/q:mauto/f:best/https://traderiniciante.com.br/wp-content/uploads/2026/06/traderiniciante-1781787954.jpg)
A presença do Brasil nas rotas sul-americanas de cocaína voltou a aparecer nas estatísticas de lavagem de dinheiro, agora em pleno ambiente digital. Relatório da Chainalysis mostra que organizações ligadas ao narcotráfico – incluindo facções como PCC e Comando Vermelho – já lideram o volume de criptomoedas movimentado de forma ilícita em exchanges que operam no país.
Juntas, essas três categorias responderam por mais de 50% dos fluxos suspeitos registrados em 2025. Só as CMLN participam de cerca de 20% de toda a lavagem global em blockchain, segundo o estudo.
As stablecoins – criptomoedas atreladas a moedas como o dólar – passaram a dominar a atividade criminosa. Por terem cotação estável e liquidez internacional, elas replicam o papel dos doleiros no câmbio paralelo, facilitando transferências rápidas sem sacolas de dinheiro vivo. Para o investidor iniciante, essa migração ajuda a explicar por que reguladores no mundo todo discutem regras mais duras para emissores e corretoras que listam esse tipo de ativo.
Mesmo com bilhões de dólares em jogo, a atividade ilegal é concentrada: entre 550 e 950 endereços receberam recursos suspeitos em exchanges brasileiras entre 2023 e início de 2026, mas apenas cinco detiveram até 90% do montante, segundo a Chainalysis. Essa peculiaridade facilita o trabalho de investigação, mas aumenta o risco de bloqueios repentinos em caso de ação coordenada das autoridades.
Entre julho de 2024 e junho de 2025, cerca de US$ 318 bilhões circularam em redes blockchain a partir do Brasil – aproximadamente um terço de todo o volume da América Latina. O número reforça o tamanho da indústria cripto no país e explica o interesse de organizações criminosas em usar exchanges locais como porta de entrada para dólares digitais.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
O novo marco legal das criptomoedas, que entrou em vigor em 2023, coloca o Banco Central como supervisor das exchanges. A proximidade do prazo de licenciamento pode acelerar a adoção de sistemas automatizados de monitoramento, algo já comum em bancos tradicionais para combater lavagem de dinheiro.
Para o investidor comum, a principal consequência prática é a provável padronização de exigências de documentação e relatórios de transações acima de determinados valores – movimento semelhante ao que ocorreu no mercado de fundos e no Tesouro Direto após a Lei de Prevenção à Lavagem de Dinheiro.
Embora a coleta de dados seja cada vez mais robusta, o relatório reforça que a maior parte das movimentações cripto permanece legítima. O desafio, segundo a Chainalysis, é impedir que a minoria criminosa continue usando a tecnologia para driblar fronteiras financeiras sem inviabilizar a inovação e o acesso dos investidores.
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