Lula descarta cortes de gastos em eventual novo mandato e defende crescimento

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoAções6 horas atrás9 Visualizações

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista à TV Globo na quinta-feira (15 de outubro), que não pretende enfrentar os desafios fiscais brasileiros com uma política de cortes de gastos caso seja reeleito. Em sua avaliação, o crescimento da economia deve ser o principal caminho para melhorar a trajetória da dívida pública, com estímulos à renda e ao crédito.

A posição foi apresentada em resposta a perguntas sobre o aumento do endividamento das famílias e as críticas de economistas à sustentabilidade das contas do governo. O questionamento também mencionou a avaliação de que conter despesas seria necessário para abrir espaço à queda dos juros.

“O jeito de você resolver o problema fiscal é fazer a economia ficar crescendo”, declarou Lula. “Toda vez que alguém quer resolver um problema fiscal, o povo pobre paga. E eu não quero que o povo pobre pague.”

Na mesma entrevista, o presidente defendeu programas de renegociação de dívidas e acesso ao crédito para pessoas de baixa renda e pequenos empreendedores, além de detalhar uma proposta para débitos de até R$ 4 mil.

Renda, crédito e investimentos na estratégia defendida por Lula

Ao ser perguntado se mudaria a condução da questão fiscal em um eventual novo mandato, Lula indicou que manteria a aposta no estímulo à renda e ao crédito. Ele contrapôs sua visão à de economistas que defendem a contenção de gastos.

“Eu tenho divergência com muitos economistas porque eles têm uma tese econômica. A minha tese é a seguinte: muito dinheiro na mão de poucos é pobreza, e pouco dinheiro na mão de muitos é riqueza”, afirmou.

O presidente apontou o fortalecimento do que chamou de “microeconomia” como principal motor do crescimento. Entre as estratégias mencionadas estão o apoio ao microcrédito, aos microempreendedores individuais (MEIs) e aos pequenos negócios.

“É fazer o dinheiro rodar na mão do povo. Se o dinheiro fica concentrado em meia dúzia de pessoas, o Brasil vai continuar pobre”, disse.

Embora tenha reconhecido a importância de controlar o avanço da dívida pública, Lula sustentou que o endividamento pode ser justificável quando financia investimentos capazes de elevar a produtividade do país.

“Eu não quero que a dívida cresça. Agora, se você fizer uma dívida para construir um ativo produtivo para o país, uma ferrovia, uma hidrelétrica, um porto que tenha recebíveis, é importante até que você tenha essa dívida”, declarou.

Na avaliação do presidente, obras de infraestrutura e investimentos públicos estimulam a economia e aumentam a arrecadação, ajudando a melhorar os indicadores fiscais no longo prazo.

Proposta de renegociação prevê dívidas de até R$ 4 mil

Na frente de combate à inadimplência, Lula afirmou que o governo trabalhou em um modelo inspirado no Desenrola. A proposta é direcionada a pessoas com dívidas de até R$ 4 mil que estejam atrasadas há mais de dois anos.

Segundo o presidente, a União pretende comprar esses débitos com grandes descontos sobre o valor original, permitindo que os devedores regularizem sua situação financeira. Ele também mencionou estudos para anistiar parte das dívidas ativas de pequenos empreendedores e oferecer linhas de crédito a quem retornar à formalidade.

“A gente quer que as pessoas recomecem a vida, voltem para a economia e possam fazer novos negócios”, afirmou.

A medida foi anunciada por Lula em 25 de setembro, junto com o anúncio do fim das bets. De acordo com o governo, o volume desses tipos de dívidas chega a R$ 300 bilhões, e a estimativa é renegociar R$ 150 bilhões.

O custo estimado para o Estado é de R$ 15 bilhões, considerando um deságio — desconto sobre o valor dos débitos — de 90%. O primeiro leilão está previsto para novembro.

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