
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) divergiram sobre estatais, privatizações, gastos públicos e saúde no primeiro debate do segundo turno da eleição presidencial de 2026, realizado pela Band no domingo, 18 de outubro. Ataques pessoais, cobranças sobre investigações envolvendo familiares e discussões sobre o Banco Master limitaram o espaço para aprofundar propostas de governo.
Na agenda econômica, Lula defendeu ampliar a atuação das estatais e os investimentos em setores específicos. Flávio apresentou promessas de redução do tamanho do Estado e aumento da renda das famílias, acompanhadas de críticas às despesas federais.
Lula criticou as privatizações dos últimos anos e voltou a defender o fortalecimento das empresas estatais. O presidente disse que pretende expandir investimentos na indústria naval e no setor de fertilizantes e sustentou que o Brasil pode acelerar o crescimento econômico caso ele conquiste um novo mandato.
Flávio, por sua vez, prometeu gerar prosperidade, diminuir o tamanho do Estado, fortalecer a segurança pública e ampliar a renda das famílias. Ao criticar os gastos do governo federal, acusou Lula de apresentar promessas que não conseguiria cumprir.
As diferenças sobre a participação do Estado também apareceram na discussão sobre saúde. Lula questionou se as propostas do adversário para o SUS poderiam representar uma privatização do sistema.
Um dos confrontos mais tensos envolveu Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e supostas articulações financeiras. Flávio cobrou explicações sobre reuniões de integrantes do governo com o empresário e mencionou operações relacionadas à gestora Dark Horse.
Em resposta, Lula afirmou que Vorcaro ganhou projeção durante o governo Bolsonaro. O presidente também declarou que as autoridades investigam irregularidades bilionárias envolvendo o banqueiro.
As cobranças sobre familiares começaram no primeiro bloco. Flávio questionou Lula a respeito de declarações da empresária Roberta Luchsinger e pediu explicações sobre a relação da investigada com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
Lula respondeu que o caso está sob investigação da Polícia Federal e disse não interferir em apurações envolvendo seus familiares. Afirmou ainda que o filho abriu sigilos para a investigação e acusou a família Bolsonaro de tentar proteger parentes.
Na sequência, o presidente associou o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro a articulações nos Estados Unidos contra interesses brasileiros. Flávio insistiu nas perguntas sobre Lulinha, mantendo o tom de confronto.
Em outro episódio de grande repercussão durante o encontro, Flávio disse estar “sem carteira” e acrescentou, em provocação ao adversário, que ela poderia ser roubada. A reação da plateia levou a mediação a intervir para recuperar a ordem.
A saúde esteve entre os poucos assuntos que receberam uma discussão mais aprofundada. Flávio prometeu oferecer no SUS um padrão semelhante ao do Hospital Albert Einstein e anunciou a intenção de nomear Claudio Lottenberg para o Ministério da Saúde caso seja eleito.
Entre as medidas apresentadas pelo senador estavam um prontuário eletrônico nacional integrado e a ampliação da telemedicina.
Além de levantar a possibilidade de privatização do SUS, Lula vinculou o adversário ao governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19. O presidente afirmou que os bolsonaristas já tiveram a oportunidade de governar e fracassaram na gestão da saúde pública.
Nas considerações finais, Lula defendeu a democracia, enalteceu seu histórico na economia e reiterou as críticas às privatizações. Flávio disse que pretende colocar o cidadão “no centro do governo”, retomou as promessas para a segurança pública e pediu o apoio dos eleitores na reta final da campanha.
O debate terminou com novas interrupções da plateia e repetidos pedidos de ordem feitos pela mediadora.
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