
A Méliuz (B3: CASH3) anunciou na quarta-feira (5) um novo programa para recomprar até 8 milhões de ações ordinárias, equivalentes a 10% dos papéis em livre circulação. A decisão foi aprovada pelo Conselho de Administração e tem como objetivos otimizar a alocação de capital e gerar valor para os acionistas.
A companhia também cancelou as frações relacionadas ao programa de recompra anterior, divulgado em outubro de 2025. Com menos ações disponíveis para negociação na B3, o saldo proporcional de cada acionista sobre os ativos mantidos pela empresa, incluindo Bitcoin, tende a aumentar. O material descreve esse efeito como um ganho de representatividade para os investidores que permanecem na base acionária desde o início das recompras.
O novo plano autoriza a aquisição de até 8 milhões de ações para manutenção em tesouraria. O prazo para a conclusão das rodadas de compras é de 18 meses a partir da aprovação pelo conselho diretivo.
As recompras realizadas nos últimos nove meses foram financiadas integralmente pelo caixa gerado pelas operações comerciais. A liderança da companhia considera essa alocação de recursos a melhor alternativa para recompensar os acionistas.
As futuras transações terão a intermediação do BTG Pactual, em conjunto com a corretora do Itaú.
Os dados contábeis do segundo trimestre de 2026 mostram que a Méliuz mantinha mais de 600 unidades de Bitcoin em custódia. O preço médio de aquisição dos bitcoins pela tesouraria corporativa estava na faixa de US$ 103 mil.
Como o número de ações em circulação diminui quando ocorre a recompra, o saldo proporcional de Bitcoin associado a cada ação aumenta. Na prática, isso eleva a exposição indireta dos acionistas aos criptoativos mantidos nos cofres da companhia, sem que eles precisem comprar criptomoedas adicionalmente.
Esse mecanismo foi apresentado na notícia como uma forma de gerar um rendimento extra em Bitcoin de maneira indireta. A exposição, porém, ocorre por meio das ações da Méliuz e não representa a aquisição direta da criptomoeda pelo investidor.
Os balanços recentes indicam que o caixa corporativo era composto por R$ 258 milhões em moedas estatais e Bitcoin. A empresa não possui endividamento e avalia que o preço atual de suas ações está abaixo de seu potencial real de geração de valor.
Além das recompras, a estratégia de tesouraria poderá incluir derivativos referenciados na cotação do Bitcoin. A companhia poderá utilizar opções de compra e opções de venda para buscar ganhos no médio prazo.
Segundo o planejamento informado, essas operações serão conduzidas de forma conservadora e sem uso de alavancagem de capital. A diretoria executiva pretende aplicar critérios rígidos de gestão de risco e limites de exposição aos criptoativos.
O objetivo declarado é combinar a aquisição de ações consideradas desvalorizadas pela gestão com o potencial de alta do Bitcoin, aproveitando oportunidades em janelas de tempo avaliadas como atrativas pela companhia.
Marcio Loures Penna, diretor de relações com investidores da Méliuz, afirmou que a empresa registrou crescimento de 18% na receita e de 38% no EBITDA na comparação anual, além de outros recordes operacionais e financeiros no período.
Penna disse ainda que a companhia se consolidou como uma “máquina de retenção de usuários e geração de vendas” para seus parceiros. Ele afirmou que o objetivo é tornar a Méliuz o maior programa de loyalty, ou fidelidade, do Brasil em alguns anos.
Ao justificar a nova recompra, o diretor declarou que a empresa acredita não haver alternativa melhor para gerar valor aos acionistas do que alocar capital na própria ação. Também afirmou que o mercado ainda não teria capturado corretamente os resultados entregues e o potencial de geração de valor da companhia.
O documento contábil do segundo trimestre de 2026 registrou marcas inéditas no faturamento líquido corporativo. O EBITDA alcançou R$ 109 milhões nos últimos 12 meses. A companhia relaciona a consistência dos lucros trimestrais à segurança para executar suas estratégias corporativas envolvendo criptomoedas no mercado brasileiro.
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