Mercado reduz previsão de inflação para 5% em 2026, ainda acima da meta

Trader Iniciante - RedaçãoTrader Iniciante - RedaçãoMercado Financeiro19 horas atrás9 Visualizações

As instituições financeiras consultadas pelo Banco Central (BC) reduziram de 5,01% para 5% a previsão de inflação no Brasil em 2026. A estimativa consta do Boletim Focus divulgado nesta terça-feira, 8 de setembro, e permanece acima do limite superior da meta de inflação, de 4,5%.

O indicador projetado é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação brasileira. O Focus reúne semanalmente as expectativas de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos: seus números representam projeções, não resultados já registrados.

A meta que o BC deve perseguir, estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para baixo ou para cima. Assim, o intervalo vai de 1,5% a 4,5%. Mesmo com a revisão, a expectativa para o fechamento de 2026 continua fora dessa faixa.

Para 2027, o movimento foi na direção oposta: a projeção do IPCA subiu de 4,28% para 4,29%. As estimativas para 2028 e 2029 são de 3,8% e 3,5%, respectivamente.

Inflação de julho voltou ao intervalo da meta

Enquanto a previsão para o fim do ano segue acima do teto, o resultado observado em julho colocou a inflação acumulada em 12 meses novamente dentro do intervalo da meta do governo, em 4,44%.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA de julho foi de 0,07%. A redução dos preços dos alimentos ajudou a inflação oficial a desacelerar pelo quarto mês consecutivo.

Selic: mercado projeta 13,75% ao ano no fim de 2026

O Focus também aponta expectativa de queda da Selic, a taxa básica de juros, para 13,75% ao ano até o encerramento de 2026. Para os anos seguintes, os analistas projetam 12% ao ano em 2027, 10,5% em 2028 e 10% em 2029.

A taxa está em 14% ao ano, nível definido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Na reunião de agosto, o colegiado promoveu a quarta redução consecutiva, com corte de 0,25 ponto percentual.

Entre junho de 2025 e março de 2026, a Selic permaneceu em 15% ao ano, o patamar mais alto em quase duas décadas. O Copom retomou os cortes na reunião de março, em um cenário de recuo da inflação. A guerra no Oriente Médio, porém, refletiu-se na alta dos preços de combustíveis e alimentos e dificulta a redução dos juros.

A Selic é o principal instrumento usado pelo BC para buscar a meta de inflação. Quando o Copom eleva a taxa, procura conter a demanda aquecida: juros maiores encarecem o crédito e incentivam a poupança, com reflexos sobre os preços. Esse movimento também pode dificultar a expansão da economia.

Mercado reduz previsão de inflação para 5% em 2026, ainda acima da meta - imagem 3
Foto: Foto: reprodução

Na direção contrária, a redução da Selic tende a tornar o crédito mais barato e a incentivar a produção e o consumo. Isso estimula a atividade econômica, mas diminui o controle sobre a inflação.

Os juros cobrados dos consumidores, contudo, não dependem apenas da taxa básica. Os bancos também levam em conta o risco de inadimplência, o lucro e as despesas administrativas ao definir suas taxas.

Previsão de crescimento sobe para 1,93%; dólar é estimado em R$ 5,20

As instituições financeiras também revisaram ligeiramente para cima a expectativa de crescimento da economia brasileira em 2026, de 1,92% para 1,93%. A projeção se refere ao Produto Interno Bruto (PIB), que corresponde à soma dos bens e serviços produzidos no país.

Para 2027, a estimativa de expansão do PIB permaneceu em 1,5%. O mercado espera crescimento de 1,96% em 2028 e de 2% em 2029.

Nos resultados já registrados, o PIB brasileiro avançou 0,5% no segundo trimestre de 2026 em relação ao primeiro trimestre, segundo o IBGE. No acumulado de 12 meses, a expansão foi de 1,9%.

Em 2025, a economia cresceu 2,3%, completando o quinto ano consecutivo de expansão. Todos os setores apresentaram crescimento, com destaque para a agropecuária.

Para o câmbio, o Focus de 8 de setembro traz uma projeção de R$ 5,20 por dólar no fim de 2026. Para o encerramento de 2027, a expectativa é de que a moeda norte-americana fique em R$ 5,30.

Os próximos marcos da agenda são a divulgação do IPCA de agosto pelo IBGE, na sexta-feira, 11 de setembro, e a reunião do Copom nos dias 15 e 16 de setembro, quando o comitê definirá a Selic.

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