
O minério de ferro encerrou a negociação em Singapura a US$ 90,71 por tonelada, com queda de 0,6% no dia e o menor preço de fechamento mensal desde outubro de 2022. A baixa da matéria-prima também marcou o balanço da Vale: no terceiro trimestre, o lucro da companhia caiu 53% em relação ao mesmo período do ano anterior, para US$ 1,26 bilhão.
O mercado enfrenta oferta elevada e grandes estoques nos portos da China, que enfraquecem a demanda. Foi o sétimo mês do ano em que a matéria-prima terminou com queda de preço.
Desde o pico de US$ 111,60 por tonelada, em maio, as cotações seguem uma trajetória de baixa, interrompida apenas por uma breve recuperação em agosto. Há uma diferença na apresentação do recuo acumulado: o título informa queda de 20%, enquanto o detalhamento dos preços registra 19%.
Os indicadores da indústria de aço mostram a fraqueza da demanda. Na semana mais recente acompanhada pela consultoria Mysteel, cerca de 11% das usinas operavam com lucro, ante 45% um ano antes.

A Mysteel também registrou queda semanal na produção média de ferro-gusa, indicador usado como termômetro da demanda por minério.
Ao mesmo tempo, os estoques de minério de ferro nos portos chineses aumentaram 1% na última semana e ficaram 15% acima do volume de um ano antes, de acordo com dados da SteelHome.
A expectativa é que a demanda pelo insumo permaneça fraca até o fim do ano, já que novembro e dezembro costumam ser os meses de menor consumo de aço na China.

Além do efeito dos preços sobre o lucro, a Vale informou que sua produção no terceiro trimestre ficou abaixo das estimativas em razão de problemas em uma mina no norte do Brasil.
Apesar dessas dificuldades, a companhia manteve a projeção de produção de minério de ferro para o ano inteiro entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas. A expectativa da empresa, porém, é encerrar o período no piso dessa faixa.
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