Edmund S. Phelps, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 2006, morreu na última sexta-feira (15) em Nova York, aos 92 anos, vítima de Alzheimer. Sua pesquisa mudou a forma como bancos centrais, incluindo o Banco Central do Brasil, pensam o combate à inflação e o estímulo à atividade econômica.
Até os anos 1960 era comum acreditar que uma inflação um pouco mais alta “comprava” desemprego mais baixo. No artigo de 1968 “Money-Wage Dynamics and Labor-Market Equilibrium”, Phelps mostrou que esse alívio é passageiro: se o estímulo continuar, a inflação tende a subir sem manter o emprego em níveis anormalmente baixos.
Ele introduziu dois conceitos que hoje aparecem em qualquer reunião de política monetária:
Para o investidor iniciante, isso ajuda a entender por que os bancos centrais preferem atuar preventivamente. Quando a autoridade monetária eleva a Selic, por exemplo, não mira só a inflação de hoje, mas quer ancorar as expectativas para evitar que salários, contratos e preços avancem de forma descontrolada.
Phelps e Milton Friedman, que chegou a conclusões similares, convenceram as autoridades monetárias de que não existe “almoço grátis” entre inflação e desemprego. O resultado foi o surgimento dos regimes de metas de inflação, adotados em vários países a partir dos anos 1990. No Brasil, o sistema existe desde 1999 e envolve manter o IPCA dentro de um intervalo pré-definido pelo Conselho Monetário Nacional.
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Para quem investe em renda fixa, ações ou mesmo criptomoedas, compreender esse mecanismo ajuda a interpretar movimentos de mercado. Taxas de juros mais altas tendem a valorizar títulos pós-fixados atrelados ao CDI e pressionar o preço de ativos de risco. Quando o BC sinaliza que as expectativas de inflação estão sob controle, cresce o espaço para cortes de juros, o que costuma favorecer Bolsa e crédito.
Nascido em Evanston, nos Estados Unidos, em 1933, Phelps formou-se em Amherst e concluiu doutorado em Yale em 1959. Lecionou em Yale, Universidade da Pensilvânia e, desde 1971, na Universidade Columbia, onde fundou o Centro de Capitalismo e Sociedade. Publicou mais de duas dezenas de livros, entre eles “Mass Flourishing” (2013). Casado desde 1974 com Viviana Phelps, deixa enteados e bisnetos.
A morte de Phelps encerra uma carreira que atravessou sete décadas, mas suas ideias permanecem centrais para quem acompanha inflação, juros e emprego. Entender seu trabalho ajuda o investidor a decifrar por que, em tempos de IPCA em alta, o Banco Central reage com elevação da Selic – e como essa decisão pode impactar desde o Tesouro Direto até o câmbio e a Bolsa.
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