O Bank of America Private Bank divulgou um estudo assinado por Joseph P. Quinlan, estrategista-chefe de mercado, com dez pontos que explicam por que a instituição segue otimista com a economia dos Estados Unidos no longo prazo. A análise coincide com o 250º aniversário da independência norte-americana e ajuda a entender por que o país continua relevante para investidores globais, inclusive brasileiros.
Os 10 pilares destacados pelo Bank of America
- Diversidade e dinamismo econômico – Com pouco mais de 4% da população mundial, os EUA respondem por cerca de 25% do PIB global. O país lidera segmentos tão distintos quanto tecnologia, agricultura, energia e saúde.
- “Superpoder” geográfico – A combinação de vizinhos pacíficos, vastos oceanos, grandes planícies agrícolas e abundância de água doce oferece vantagens logísticas e de segurança alimentar cada vez mais valorizadas.
- Cultura de startups – Somente nos últimos 12 meses, quase 6 milhões de novos negócios foram registrados, recorde histórico segundo o Census Bureau. Desde 2010, 40% das empresas listadas no Fortune 500 deixaram de existir ou foram adquiridas, sinalizando alto grau de renovação.
- Destino preferencial de capital estrangeiro – O estoque de investimentos internacionais no país chega a US$ 50 trilhões, cerca de cinco vezes mais que no início do século.
- Força das marcas – Nove das dez marcas globais mais valiosas em 2026, de acordo com o ranking BrandZ, são norte-americanas, reforçando o soft power dos EUA.
- Poder militar sem rival – O setor de defesa sustenta ecossistemas de inovação em áreas como aeroespacial, cibersegurança e inteligência artificial, com efeitos indiretos sobre a produtividade da economia civil.
- Liderança tecnológica – Empresas como Nvidia, Alphabet e Apple têm valor de mercado superior ao PIB de diversos países, reflexo do ambiente favorável a pesquisa e desenvolvimento.
- Excelência acadêmica – Das 100 melhores universidades do mundo, 26 ficam nos EUA, segundo o QS World University Rankings. Atração de talentos estrangeiros alimenta o ciclo de inovação.
- Dominância do dólar – Apesar de previsões recorrentes sobre perda de espaço, a moeda permanece como principal reserva de valor global e referência para comércio e finanças internacionais.
- Competitividade estrutural – Capacidade de adaptação, atração de capital humano e abertura a novas tecnologias colocam o país entre as economias mais competitivas do planeta.
Por que o tema interessa ao investidor brasileiro
O protagonismo econômico dos Estados Unidos influencia diretamente diversos mercados acompanhados por quem investe no Brasil:
- Câmbio – A dominância do dólar costuma atrair fluxos para ativos de menor risco em períodos de incerteza, afetando a cotação do real e, por consequência, investimentos atrelados ao dólar, como BDRs e fundos internacionais.
- Taxa de juros – A política monetária norte-americana impacta a curva de juros global. Mudanças nos rendimentos dos Treasuries podem alterar o apetite por renda fixa brasileira, incluindo títulos atrelados ao CDI ou à Selic.
- Bolsa e tecnologia – A pujança das big techs tem peso relevante nos índices norte-americanos. Oscilações em empresas como Apple e Nvidia costumam repercutir em ETFs globais e, indiretamente, no Ibovespa, devido ao fluxo de capital estrangeiro.
- Commodities – A força do setor agrícola e energético dos EUA interfere na formação de preços internacionais de soja, milho e petróleo, itens de grande relevância para exportadores e empresas listadas na B3.
Contexto macro atual
A resiliência da economia norte-americana ocorre em um momento em que grandes bancos centrais ainda calibram suas políticas para conter a inflação pós-pandemia. Nos Estados Unidos, o emprego segue aquecido, e indicadores de atividade surpreenderam positivamente nos últimos trimestres – fatores que sustentam a tese de crescimento duradouro destacada pelo Bank of America.
Imagem: Eric Revell FOXBusiness
Para o investidor brasileiro, compreender esses vetores ajuda a avaliar riscos e oportunidades de diversificação, seja em ações internacionais, seja em estratégias defensivas ligadas ao dólar. Ainda que cada perfil de investidor deva considerar seus próprios objetivos e tolerância a risco, acompanhar a saúde da maior economia do mundo segue sendo parte essencial da análise de cenário.