
O Nubank registrou lucro líquido de US$ 1,06 bilhão no segundo trimestre, a primeira vez em que a fintech supera a marca de US$ 1 bilhão em um trimestre. O resultado representa alta de 49% em relação ao mesmo período do ano anterior, excluindo variações cambiais, e ficou acima de todas as estimativas dos analistas consultados pela Bloomberg.
O desempenho ocorreu enquanto a empresa ampliou sua carteira de crédito em 37%. Na comparação com os três meses anteriores, os custos de crédito recuaram, embora tenham alcançado US$ 1,7 bilhão no trimestre, acima dos US$ 1,1 bilhão registrados um ano antes.
O Nubank vem acelerando a expansão em produtos centrais, como cartões de crédito e empréstimos pessoais, ao mesmo tempo em que enfrenta uma piora do ciclo de crédito no Brasil.
Rob Livingston, novo diretor financeiro da fintech, afirmou que a companhia sempre concede crédito como se a economia estivesse prestes a entrar em recessão. Segundo ele, o Nubank utiliza modelos baseados em inteligência artificial para avaliar melhor a capacidade de pagamento de cada cliente.
Essa estratégia, porém, havia produzido resultados que decepcionaram os investidores no primeiro trimestre. Na ocasião, as ações caíram 5,7% depois que os números mostraram provisões mais elevadas. Também afetou o sentimento dos investidores o fato de alguns investimentos da empresa ainda não terem apresentado retorno, como a aposta em inteligência artificial e a expansão internacional.
Antes da divulgação dos resultados, Livingston disse estar “bastante confiante” de que o Nubank conseguirá manter a margem financeira líquida ajustada ao risco em um patamar semelhante ao atual, em torno de 12%. Essa margem relaciona o resultado financeiro da operação ao risco de crédito assumido pela instituição.
As despesas operacionais do segundo trimestre somaram US$ 806,2 milhões, contra US$ 548,1 milhões um ano antes. Ainda assim, o índice de eficiência, que mede quanto um banco gasta para gerar receita, melhorou 1,8 ponto percentual na comparação anual e chegou a 19,5%.

Em relação ao trimestre anterior, no entanto, o indicador piorou devido aos gastos com marketing e à expansão internacional. O Nubank afirmou que o índice deve ficar próximo de 20% no ano, refletindo as políticas de retorno ao escritório iniciadas no começo de julho e a expansão nos Estados Unidos.
O Nubank foi autorizado a operar como banco no México em julho. Com a autorização, poderá lançar mais tipos de produtos na segunda maior economia da América Latina.
Na avaliação do diretor financeiro, essa possibilidade deve acelerar o crescimento da empresa no país, embora o lucro avance de forma mais gradual.
A empresa havia afirmado anteriormente que a expansão reduziria o índice de eficiência em menos de 100 pontos-base neste ano e no próximo.
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