
A Panco apresentou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) uma proposta para comprar a Nutrella, marca de pães que a mexicana Bimbo foi obrigada a vender. A empresa brasileira aparece como provável autora do maior lance da primeira etapa do leilão, mas ainda não é possível afirmar que venceu a disputa: a operação depende da análise concorrencial do órgão.
O leilão foi realizado em 24 de julho, com os nomes dos participantes mantidos em sigilo. Na primeira fase, participaram concorrentes diretos da Bimbo no mercado de pães. O maior lance foi de R$ 3 milhões, enquanto o segundo colocado ofereceu R$ 2,1 milhões.
Os valores não definiram imediatamente o comprador. Eles estabeleceram uma ordem de prioridade para a análise do Cade. O participante que ofereceu R$ 3 milhões recebeu o direito de apresentar primeiro a documentação e o plano para assumir a Nutrella.
Um documento apresentado ao Cade informa que a Panco será representada no acompanhamento da análise da proposta de compra da Nutrella e nas tratativas com o mandatário responsável pelo desinvestimento. Essa informação torna provável que a companhia tenha feito o lance de R$ 3 milhões, mas os documentos não associam nominalmente a Panco ao valor oferecido no leilão.
O Cade ainda precisará avaliar se o interessado reúne as condições necessárias para manter a Nutrella como uma concorrente efetiva da Bimbo. Caso conclua que isso não é possível, a proposta poderá ser descartada e a vez passará ao segundo colocado da primeira fase.
Por isso, a resposta sobre quem venceu o leilão e por qual valor ainda depende da análise do órgão. A maior oferta garante prioridade no processo, mas não assegura a conclusão da venda.
A segunda fase foi destinada a fabricantes de outros segmentos de alimentos com distribuição nacional. Nessa etapa, foram apresentadas propostas maiores, de R$ 4,7 milhões e R$ 4,6 milhões.
Apesar dos valores mais altos, esses participantes só entrarão na fila se o Cade não aprovar os interessados classificados na primeira fase. Assim, a ordem de análise prioriza inicialmente os concorrentes diretos da Bimbo no mercado de pães.

A estrutura do leilão decorre das condições impostas pelo Cade para aprovar a compra da Wickbold pela Bimbo. Em setembro de 2025, ao autorizar a operação, o órgão antitruste determinou que a companhia mexicana se desfizesse da Nutrella para evitar uma concentração excessiva no mercado de pães.
Outra marca incluída no pacote de desinvestimentos foi a Tá Pronto!, de tortilhas. Ela foi vendida para a dona da Pita Bread.
A venda da Nutrella apresentou mais dificuldades. Antes do leilão, a Bimbo havia apresentado quatro potenciais compradores ao Cade, mas nenhum foi considerado adequado pelo órgão. Com isso, a companhia precisou colocar a marca em um leilão aberto e sem preço mínimo.
Agora, a decisão volta às mãos do Cade. Se a proposta da Panco for aprovada, a fabricante brasileira poderá assumir a Nutrella. Caso o órgão entenda que a operação não atende às condições estabelecidas para o desinvestimento, a fila do leilão avançará e outro interessado poderá ficar com a marca.
A Bimbo ainda não havia respondido aos questionamentos, e havia tentativa de contato com a Panco.
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