O Paraguai vem consolidando posição de destaque na América do Sul ao utilizar energia limpa e barata de Itaipu para impulsionar projetos de tecnologia e indústria. A partir de 2027, o país poderá vender livremente seu excedente energético, e os Estados Unidos já manifestaram interesse em adquirir essa eletricidade para abastecer centros de dados voltados à inteligência artificial.
A empresa norte-americana X8 Cloud anunciou a construção de um data center de US$ 50 bilhões (cerca de R$ 260 bilhões) em território paraguaio. O montante supera o investimento estimado de US$ 38 bilhões no futuro data center do TikTok no Ceará, no Brasil.
Seguindo estratégia semelhante à adotada pelo México, o Paraguai implantou o sistema de maquiladoras, cobrando apenas 1% sobre o valor agregado das operações industriais. Como resultado, a indústria de transformação responde hoje por 19% do PIB paraguaio, contra 11% no Brasil (17% em 1994).
O país ainda opera o regime tributário conhecido como “Triplo 10”, que fixa em 10% as alíquotas de imposto de renda para pessoas físicas, para empresas e para o imposto sobre valor agregado.
O Paraguai apresenta taxa básica de juros de 5,5%, bem abaixo dos 14,5% vigentes no Brasil. Descontada a inflação — 1,9% no Paraguai e 4,3% no Brasil nos últimos 12 meses —, os juros reais correspondem a 2% e 11,5%, respectivamente.
Em 2025, o Produto Interno Bruto paraguaio cresceu 6,6%, ante 2,3% da economia brasileira. A média de expansão paraguaia na última década foi de 3%, com previsão de chegar a 4,5% neste ano, enquanto o Brasil teve média de 1,4% e deve avançar 1,6% em 2026.
Duas das três principais agências de classificação de risco — Moody’s e S&P — concedem grau de investimento ao Paraguai; o Brasil permanece sem esse selo nas três avaliadoras.
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No Índice de Complexidade Econômica (ECI), o Paraguai registra trajetória ascendente desde 2000 e tende a ultrapassar o Brasil nos próximos anos, segundo as séries históricas divulgadas.
Entre 2000 e 2025, a taxa de pobreza paraguaia caiu 45 pontos percentuais. No mesmo intervalo, o Brasil reduziu o indicador em 27 pontos percentuais.
A energia oriunda de Itaipu — 100% renovável — permanece como principal ativo paraguaio. Até 2026, o Brasil adquire o excedente não consumido pelo parceiro vizinho a preços acordados; após esse período, Assunção estará livre para negociar diretamente com qualquer comprador.
Com população de 7 milhões de habitantes, o Paraguai aposta na combinação de eletricidade barata, ambiente regulatório simples e estabilidade econômica para atrair investimentos em larga escala, especialmente nos setores de tecnologia e manufatura.