Trégua entre EUA e Irã derruba petróleo ao menor nível pós-guerra e anima expectativa sobre custos de energia

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções2 horas atrás7 Visualizações

Os contratos futuros do petróleo registraram nova queda nesta quinta-feira (18), aprofundando o movimento iniciado após o anúncio de um acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã para interromper o conflito no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz, principal corredor de exportação de óleo e gás do Golfo.

Por volta das 9h52, o Brent recuava 1,51%, a US$ 78,35 o barril, enquanto o WTI cedia 2,28%, para US$ 75,04. São os menores valores desde o primeiro pregão após o início da guerra em março.

O que mudou com o memorando de 14 pontos

  • Irã passa a liberar a travessia sem pedágio pelo Estreito de Ormuz por 60 dias.
  • Fluxo deve voltar à capacidade total em até 30 dias, segundo o texto.
  • Questões mais delicadas, como o programa nuclear iraniano, ficaram para negociações futuras.
  • EUA e aliados se comprometem a estruturar um plano de US$ 300 bilhões para reconstrução do Irã.

Para o mercado, a sinalização de que milhões de barris poderão voltar às rotas comerciais ainda neste trimestre reduz o prêmio de risco embutido nos preços desde o início dos ataques.

Impacto econômico: inflação, dólar e juros

No curto prazo, a queda do Brent tende a aliviar expectativas de inflação, pois o petróleo influencia diretamente nos preços de combustíveis e derivados. Um combustível mais barato ajuda a frear pressões sobre o IPCA, componente observado de perto pelo Banco Central ao decidir o rumo da Selic.

Para o investidor brasileiro, menor inflação esperada costuma reduzir a necessidade de juros muito altos, o que pode refletir em:

  • Valorização de ativos de renda variável, como ações de setores dependentes de crédito.
  • Arrefecimento dos rendimentos reais de produtos atrelados ao CDI, caso a Selic volte a recuar.
  • Possível fortalecimento de moedas emergentes frente ao dólar, caso o risco geopolítico diminua.

Reação do mercado de ações e de commodities

Empresas de petróleo, como Petrobras, costumam oscilar em linha com a cotação internacional do barril. Quedas prolongadas podem pressionar receitas, embora também reduzam custos de insumos para companhias aéreas e petroquímicas, por exemplo.

No exterior, o Goldman Sachs estima que as exportações do Golfo retornem aos níveis pré-guerra até o fim de julho e que a produção regional se normalize até outubro, com aumento de cerca de 13 milhões de barris por dia no fluxo pelo Estreito de Ormuz. O banco pondera, contudo, que a recomposição de estoques e a retomada da demanda podem limitar quedas mais acentuadas nos preços.

O que observar daqui para frente

  • Desdobramentos da negociação EUA-Irã e eventuais impasses sobre o programa nuclear.
  • Evolução dos estoques de petróleo nos EUA e nos países da Opep+.
  • Decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos, sensíveis ao comportamento da inflação de energia.
  • Movimento do câmbio, já que petróleo mais barato costuma aliviar a conta externa de importadores como o Brasil.

Enquanto o mercado ajusta preços ao novo cenário, investidores iniciantes devem acompanhar como a volatilidade do petróleo se reflete em fundos de commodities, ações ligadas ao setor de energia e índices de inflação. Mudanças rápidas no ambiente geopolítico continuam capazes de reverter a tendência atual.

Ferramentas úteis para investidores

Use as ferramentas gratuitas do Trader Iniciante para simular investimentos, acompanhar o Tesouro Direto e consultar resultados atualizados.

0 Votes: 0 Upvotes, 0 Downvotes (0 Points)

Deixe um Comentário

Comentários Recentes

Trader Iniciante é um participante do Programa de Associados da Amazon.

Pesquisar tendência
Redação
carregamento

Entrar em 3 segundos...

Inscrever-se 3 segundos...