Poupança volta a atrair recursos, mas rentabilidade fica distante de CDB e Tesouro Selic

Mariana CostaMariana CostaRenda Fixa10 horas atrás18 Visualizações

O brasileiro voltou a colocar dinheiro na poupança em maio. Segundo dados divulgados nesta segunda-feira (10), os depósitos superaram as retiradas em R$ 2,6 bilhões, marcando a primeira captação líquida positiva da caderneta em 2026.

Entenda por que a poupança ainda atrai recursos

  • Liquidez imediata: o resgate pode ser feito a qualquer momento, sem custo.
  • Isenção de IR: rendimentos não pagam Imposto de Renda, diferentemente de CDBs e de fundos.
  • Facilidade de acesso: está disponível em qualquer banco e não exige conhecimento prévio.

A combinação desses fatores costuma ser suficiente para que muitos investidores iniciantes escolham a poupança como “porta de entrada” — mesmo quando a remuneração fica abaixo de outros produtos de baixo risco.

Como a poupança rende hoje

Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano (cenário vigente), a regra é simples: 0,5% ao mês + TR (Taxa Referencial). Esse cálculo resulta em um rendimento anual próximo de 6,17% mais TR. No atual ambiente de juros elevados, a taxa básica oferece ao investidor oportunidades mais competitivas em produtos atrelados ao CDI, que costuma acompanhar de perto a Selic.

Simulação: R$ 10 mil hoje, quanto valem no futuro?

O analista Antônio Sanches, da Rico, comparou a poupança com outros instrumentos de renda fixa, mantendo como premissa uma Selic estável em 14,25% ao ano. Veja os principais resultados:

  • Em 1 ano: poupança chegaria a R$ 10.702, enquanto um CDB que paga 115% do CDI alcançaria R$ 11.338.
  • Em 5 anos: R$ 14.045 na caderneta versus R$ 19.489 no mesmo CDB.
  • Em 10 anos: R$ 19.726 na poupança contra R$ 39.685 no CDB — diferença de quase R$ 20 mil.

O estudo também mostra que o Tesouro Selic, título público de menor risco do mercado, chegaria perto de R$ 33,4 mil no mesmo horizonte, mesmo após a incidência de IR.

Segurança comparável, rendimento diferente

  • Tesouro Selic: carrega risco soberano, ou seja, a garantia do Tesouro Nacional.
  • CDB de grandes bancos: conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até R$ 250 mil por instituição, por CPF.
  • Poupança: possui garantia bancária semelhante à dos CDBs, mas rende menos porque segue regra fixa de 0,5% ao mês.

O que observar se você está começando a investir

  • Liquidez diária não é exclusividade: CDBs disponíveis em corretoras e aplicativos já oferecem saques a qualquer momento.
  • Impacto dos juros compostos: na poupança, os rendimentos só “viram” juros sobre juros na data de aniversário; nos demais produtos, a capitalização é diária.
  • Tributação simples: o IR sobre CDBs e Tesouro Selic é retido na fonte, sem burocracia extra para o investidor.

Em resumo, embora a poupança volte a receber recursos, números mostram que alternativas igualmente seguras e acessíveis tendem a entregar retornos mais robustos, sobretudo em horizontes acima de um ano.

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