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Um grupo de 20 deputados republicanos enviou carta ao representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, pedindo que o projeto brasileiro de regulação dos mercados digitais — o PL 4.675/2025, batizado de Lei da Concorrência Justa para Mercados Digitais — seja incluído nas tratativas comerciais entre Washington e Brasília.
A proposta, em discussão no Congresso brasileiro, espelha dispositivos da Lei dos Mercados Digitais aprovada pela União Europeia. Na prática, ela amplia o poder das autoridades de defesa da concorrência para exigir mudanças no modelo de negócios de grandes plataformas, além de determinar o compartilhamento de determinados dados considerados essenciais à competição.
Para os parlamentares norte-americanos, as regras criariam barreiras específicas a empresas dos EUA, gerariam custos bilionários e reduziriam a capacidade de investimento em inovação. Eles classificam a iniciativa como “discriminatória” e querem que o tema pese nas eventuais concessões que o Brasil busca em acordos bilaterais.
O argumento dos congressistas cita a Seção 301 do Trade Act — dispositivo que autoriza o USTR a investigar e aplicar tarifas a países considerados infratores das regras de comércio. O Brasil já foi alvo desse instrumento em outros setores, com sobretaxas de 25% sobre produtos específicos.
A lembrança não é casual: ao vincular o PL 4.675/2025 a esse histórico, os deputados sinalizam que novas tarifas podem voltar ao debate caso a lei avance sem consultas formais aos EUA.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
O pedido dos republicanos, liderados por Adrian Smith (Nebraska) e Jim Jordan (Ohio), coloca pressão adicional sobre o governo brasileiro, que avalia diferentes formatos de regulação para plataformas digitais. No entorno do presidente Lula, o movimento é visto como parte de uma estratégia global das big techs para conter a proliferação de legislações inspiradas no modelo europeu.
A equipe econômica em Brasília ainda não indicou mudanças no texto, mas deve ponderar os possíveis efeitos sobre a relação comercial com os EUA, principal destino das exportações brasileiras. Quanto mais a discussão se prolongar, maior a volatilidade potencial para ativos sensíveis a comércio exterior, como ações de exportadoras, taxa de câmbio e títulos do Tesouro Nacional.
Para o investidor, o episódio reforça a importância de acompanhar não apenas indicadores macroeconômicos tradicionais — inflação, Selic, PIB — mas também o avanço de regulações que podem alterar modelos de negócios de empresas líderes de mercado.
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