O barril de petróleo Brent, referência internacional, voltou a ser negociado abaixo de US$ 90 nesta sexta-feira (29), tocando US$ 89,95 por volta das 12h15 (horário de Brasília). É a primeira vez em mais de um mês que o preço fura esse patamar — no dia 21 de abril havia chegado a US$ 89,12.
Nos Estados Unidos, o WTI (West Texas Intermediate) recuava 1,98%, a US$ 87,14. A queda foi atribuída ao otimismo dos participantes do mercado com a sinalização de um possível entendimento entre EUA e Irã para prorrogar um cessar-fogo por mais 60 dias e aliviar tensões no estreito de Hormuz, rota crucial para o transporte de petróleo.
Por que o Brent recuou
- Expectativa de acordo: autoridades americanas disseram que uma trégua estaria próxima. Menos risco geopolítico costuma se traduzir em menor prêmio de preço para a commodity.
- Hormuz no radar: cerca de um quinto do petróleo mundial passa pelo estreito. A simples possibilidade de reabertura plena da passagem reduz temores de oferta.
- Dólar firme: embora não explicitado no noticiário, um dólar mais forte também tende a pressionar commodities cotadas na moeda americana.
O que está em jogo entre Washington e Teerã
Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, a decisão final seria debatida ainda nesta sexta na Casa Branca. O republicano listou condições como a não produção de armas nucleares e a retirada de minas marítimas. Teerã, porém, diz que a distância para um consenso ainda existe e acusa Washington de “exigências excessivas”.
Para investidores, o ponto central é simples: menos risco de conflito no Golfo Pérsico significa menor chance de interrupção no fornecimento global de petróleo.
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Reflexos imediatos nos mercados
- Wall Street: às 12h50, Dow Jones (+0,71%), S&P 500 (+0,27%) e Nasdaq (+0,20%) operavam no azul.
- Europa mista: Euro STOXX 600 fechou em +0,25%, mas Londres e Paris recuaram levemente.
- Ásia: China terminou no negativo, enquanto Tóquio, Hong Kong, Seul e Taiwan avançaram.
O que observar daqui para frente
- Preços dos combustíveis: Brent abaixo de US$ 90 pode trazer alívio à inflação global. No Brasil, movimentações do petróleo influenciam a política de preços da Petrobras, com efeito direto no bolso do consumidor.
- Inflação e juros: menor pressão sobre derivados de petróleo tende a ajudar nas expectativas inflacionárias. Isso é monitorado pelo Banco Central na definição da Selic.
- Ações ligadas à commodity: papéis de petrolíferas costumam reagir ao preço do Brent. Já setores como companhias aéreas e indústrias intensivas em energia podem se beneficiar de custos mais baixos.
- Renda fixa atrelada à inflação: títulos públicos indexados ao IPCA sentem o impacto de qualquer alívio inflacionário futuro.
- Moedas emergentes: redução de tensões no Oriente Médio pode diminuir a busca por “portos seguros” e favorecer moedas como o real, influenciando também a cotação do dólar.
O mercado seguirá atento aos desdobramentos das negociações entre EUA e Irã. Qualquer mudança no tom das partes pode devolver volatilidade ao preço do petróleo e, por tabela, às demais classes de ativos.