Queda do trigo em Chicago se aprofunda e pressiona soja e milho; veja o que isso significa para o investidor brasileiro

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções2 horas atrás9 Visualizações

Os contratos futuros de trigo na Bolsa de Chicago (CBOT) encerraram a sexta-feira em queda, ampliando para cinco o número de baixas nos últimos seis pregões. O vencimento julho do trigo SRW perdeu 12,75 centavos e fechou a US$ 5,785 por bushel, enquanto setembro recuou 11,75 centavos, a US$ 5,8975.

O que puxou os preços para baixo

  • Liquidação de posições: fundos e especuladores vêm saindo do mercado diante da proximidade da colheita no Hemisfério Norte.
  • Oferta abundante: as primeiras indicações de safra nos Estados Unidos, Europa e partes da Rússia têm sido consideradas favoráveis, reduzindo o prêmio de risco climático.
  • Agenda de dados: na próxima terça-feira o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) publica o relatório de estoques em 1º de junho. Analistas projetam alta de 9,2% em relação ao ano passado, sinal de maior disponibilidade interna.

Soja e milho seguem o mesmo caminho

O movimento de realização se espalhou para outras commodities agrícolas:

  • Soja (contrato julho) caiu 1,25 centavo, para US$ 11,2625 por bushel.
  • Milho (contrato julho) recuou 2 centavos, para US$ 4,1275 por bushel.

Parte da pressão veio do ajuste de carteiras antes dos relatórios de planting intentions (área plantada) e de estoques trimestrais do USDA, que serão divulgados no mesmo dia.

Por que o investidor brasileiro deve acompanhar

  • Custo de alimentos: trigo mais barato no mercado internacional costuma aliviar o preço de importação, importante para o Brasil, que depende de compras externas para complementar a oferta interna.
  • Inflação: quando as cotações em dólar recuam, há potencial de menor pressão sobre índices como o IPCA, sobretudo se o câmbio permanecer estável.
  • Margem de exportadores: produtores que vendem soja e milho ao exterior enfrentam remuneração menor em dólar. Em reais, tudo dependerá do comportamento do câmbio e dos prêmios de embarque.
  • Renda fixa e juros: sinais de inflação de alimentos mais contida podem reforçar apostas em cortes da Selic — fator que influencia títulos do Tesouro Direto e o CDI.

Como ler as cotações

Os preços em Chicago são expressos em bushel — unidade de volume que equivale a cerca de 27,2 kg de trigo, 25,4 kg de soja ou 25,4 kg de milho. Pequenas variações em centavos por bushel podem representar diferenças significativas para grandes tradings e fundos.

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Imagem: Reuters

No radar dos próximos dias

  • Relatórios do USDA em 1º de julho — estoques de grãos e intenção de plantio.
  • Clima no Meio-Oeste dos EUA durante a polinização do milho e enchimento de grãos da soja.
  • Oscilação do dólar, que define o preço final em reais nas bolsas brasileiras e nas negociações de balcão.

Para o investidor que acompanha agronegócio, renda variável ou simplesmente a evolução dos custos de alimentação, a trajetória das commodities agrícolas segue sendo um dos termômetros mais rápidos para avaliar humor de mercado, inflação e, por consequência, expectativas de juros.

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