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A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) enviou ofício ao Ministério Público de Mato Grosso questionando o Termo de Compromisso Ambiental (TCA) que reduz, até proibir, o uso de biomassa de vegetação nativa na geração de energia pelas usinas de etanol de milho no Estado.
Em boa parte das plantas de etanol de milho, a queima de cavacos de madeira em caldeiras fornece o vapor necessário para o processo industrial. Hoje, parte significativa desse combustível vem de madeira oriunda de supressão vegetal licenciada — isto é, árvores derrubadas legalmente durante a abertura de áreas agrícolas.
O TCA determina que essa fonte seja gradualmente substituída por florestas plantadas (principalmente eucalipto) ou outras alternativas renováveis. A meta é chegar à proibição total da biomassa nativa em meados da próxima década.
A associação sugere permitir a biomassa de supressão legal por mais seis anos, prazo considerado suficiente para que as indústrias plantem eucalipto e desenvolvam contratos de suprimento sustentável.
A Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta) sustenta que o acordo apenas organiza regras já previstas no Código Florestal e concede sete anos para adaptação. Segundo a entidade, nenhum empreendimento será paralisado, desde que apresente um Plano de Suprimento Sustentável.
O debate ocorre num momento em que a matriz energética brasileira busca ampliar fontes renováveis, enquanto a política de juros segue em ciclo suave de queda. Caso os custos de implantação subam, a taxa de retorno exigida pelos investidores pode se aproximar do patamar do CDI, tornando alguns projetos menos atrativos.
Imagem: Reuters
Até 2040, o TCA prevê que a área de florestas plantadas em Mato Grosso salte de 200 mil para 700 mil hectares. Esse movimento tende a criar nova cadeia de suprimento de madeira e, na prática, pode abrir frente de negócios para produtores rurais interessados em diversificar renda.
Para investidores iniciantes, o principal ponto é acompanhar como cada empresa do setor declara seu risco regulatório e as estratégias de transição energética em seus relatórios. Mesmo quem investe em fundos de ações ou de infraestrutura expostos ao agronegócio deve observar essas sinalizações.
A discussão ainda está em curso. Enquanto governo estadual, Ministério Público e entidades buscam consenso sobre prazos e metas, o mercado ficará atento aos desdobramentos que podem redefinir o ritmo de expansão do etanol de milho no principal Estado produtor do país.
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