Regras ambientais podem barrar expansão do etanol de milho em Mato Grosso, diz Abramilho

Ricardo AlmeidaRicardo AlmeidaAções3 horas atrás8 Visualizações

A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) enviou ofício ao Ministério Público de Mato Grosso questionando o Termo de Compromisso Ambiental (TCA) que reduz, até proibir, o uso de biomassa de vegetação nativa na geração de energia pelas usinas de etanol de milho no Estado.

Por que a biomassa é crucial para as usinas

Em boa parte das plantas de etanol de milho, a queima de cavacos de madeira em caldeiras fornece o vapor necessário para o processo industrial. Hoje, parte significativa desse combustível vem de madeira oriunda de supressão vegetal licenciada — isto é, árvores derrubadas legalmente durante a abertura de áreas agrícolas.

O TCA determina que essa fonte seja gradualmente substituída por florestas plantadas (principalmente eucalipto) ou outras alternativas renováveis. A meta é chegar à proibição total da biomassa nativa em meados da próxima década.

A preocupação do setor

  • Custo e prazo: o eucalipto leva cerca de seis anos até o primeiro corte. Para novas usinas, significaria investir em áreas florestais antes mesmo do início da produção, elevando o desembolso inicial.
  • Segurança energética: sem garantia de oferta de cavacos de madeira plantada no curto prazo, existe receio de encarecimento da energia térmica — item que pesa no custo final do litro de etanol.
  • Competitividade: Mato Grosso responde pela maior parte do etanol de milho do país. Qualquer aumento de custo pode deslocar investimentos para outros Estados ou para o etanol de cana, reduzindo a diversificação da matriz de biocombustíveis.

Proposta da Abramilho

A associação sugere permitir a biomassa de supressão legal por mais seis anos, prazo considerado suficiente para que as indústrias plantem eucalipto e desenvolvam contratos de suprimento sustentável.

O que dizem os defensores do TCA

A Associação de Reflorestadores de Mato Grosso (Arefloresta) sustenta que o acordo apenas organiza regras já previstas no Código Florestal e concede sete anos para adaptação. Segundo a entidade, nenhum empreendimento será paralisado, desde que apresente um Plano de Suprimento Sustentável.

Impacto para o investidor de mercado

  • Setor em crescimento: usinas de etanol de milho têm aparecido nos planos de expansão de companhias abertas do agronegócio e de energia. Regras mais rígidas podem alterar cronogramas e Capex projetados.
  • Sinal ESG: a exigência de biomassa de reflorestamento reforça tendências globais de sustentabilidade. Empresas que se alinharem mais rápido podem atrair capital voltado a critérios ambientais.
  • Preço do etanol: custos maiores de produção podem influenciar o valor do combustível na bomba e, indiretamente, receitas de companhias listadas que atuam no segmento.
  • Renda fixa e crédito: projetos de biocombustíveis costumam captar via CRA, debêntures incentivadas ou green bonds. Mudanças regulatórias podem afetar percepção de risco e taxas oferecidas aos investidores.

Relação com o cenário macro

O debate ocorre num momento em que a matriz energética brasileira busca ampliar fontes renováveis, enquanto a política de juros segue em ciclo suave de queda. Caso os custos de implantação subam, a taxa de retorno exigida pelos investidores pode se aproximar do patamar do CDI, tornando alguns projetos menos atrativos.

Até 2040, o TCA prevê que a área de florestas plantadas em Mato Grosso salte de 200 mil para 700 mil hectares. Esse movimento tende a criar nova cadeia de suprimento de madeira e, na prática, pode abrir frente de negócios para produtores rurais interessados em diversificar renda.

Para investidores iniciantes, o principal ponto é acompanhar como cada empresa do setor declara seu risco regulatório e as estratégias de transição energética em seus relatórios. Mesmo quem investe em fundos de ações ou de infraestrutura expostos ao agronegócio deve observar essas sinalizações.

A discussão ainda está em curso. Enquanto governo estadual, Ministério Público e entidades buscam consenso sobre prazos e metas, o mercado ficará atento aos desdobramentos que podem redefinir o ritmo de expansão do etanol de milho no principal Estado produtor do país.

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