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O número que aparece na tela quando você escolhe um título do Tesouro Direto não é, necessariamente, o rendimento que vai cair na sua conta. Imposto de Renda (IR), taxa de custódia da B3 e, em alguns casos, cobrança de administração pela corretora ou banco corroem parte do retorno.
Uma simulação da SuperRico ilustra o impacto. Considerando aplicação inicial de R$ 20 mil em Tesouro Selic, com aportes mensais de R$ 1.000 durante 20 anos, uma taxa de administração de 0,5% ao ano tira R$ 92 mil do patrimônio final. O exercício usou Selic de 14,25% e inflação de 4,5% apenas como referência para mostrar o efeito do custo extra.
Hoje, cerca de 90% das instituições dispensam a taxa de administração, mas 10% ainda cobram. O valor pode parecer pequeno à primeira vista, porém morde o rendimento ano após ano, sobretudo em objetivos de longo prazo.
Esses custos explicam por que o “rendimento bruto” exibido no site do Tesouro ou na plataforma da corretora raramente coincide com a rentabilidade líquida que o investidor efetivamente recebe.
Segundo Carlos Castro, CEO da SuperRico, a cobrança pode ser justificável se vier acompanhada de serviço que agregue valor real, como consultoria personalizada ou gestão ativa da carteira. Para produtos que apenas replicam a Selic, contudo, a tarifa costuma pesar mais do que ajuda.
Já Milene Dellatore, sócia-diretora do Grupo Mide, lembra que uma plataforma intuitiva e atendimento que evite erros operacionais podem ser relevantes principalmente para quem está dando os primeiros passos.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
O ponto-chave é alinhar o vencimento do título ao prazo do objetivo. Comprar um IPCA+ de 2045 para resgatar em dois anos, por exemplo, expõe o investidor a oscilações de mercado que podem gerar perda, pois o preço desses papéis varia diariamente (marcação a mercado).
Sim. O Tesouro Nacional recompra títulos todos os dias úteis, mas o preço segue as condições de mercado. Em Selic, a variação costuma ser mínima; já em IPCA+ e Prefixado, pode haver ganho ou perda em relação à taxa contratada. Por isso, especialistas sugerem manter esses papéis até o vencimento, salvo se o investidor aceitar o risco de volatilidade.
Os títulos ficam registrados no CPF do investidor na B3, fora do balanço da instituição financeira. Caso a corretora enfrente problemas, basta pedir a transferência de custódia para outra habilitada. O patrimônio permanece intacto.
Entender cada custo e cada tipo de título ajuda a evitar frustrações e mantém o planejamento financeiro alinhado à realidade do mercado.
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