
A área plantada com soja no Brasil na safra 2026/27 deve crescer pouco, enquanto a produção pode recuar levemente devido aos efeitos do El Niño. A avaliação foi feita na quinta-feira (20) pelo CEO da Divisão de Grãos e Oleaginosas da chinesa Cofco no Brasil, durante o anúncio do primeiro embarque de sorgo brasileiro da empresa para a China.
De acordo com o executivo, as margens menores dos produtores e as dificuldades financeiras em um cenário de crédito restrito devem limitar a expansão da área cultivada. Ainda assim, ele afirmou que a área deve aumentar, embora em ritmo inferior ao observado nos últimos anos, devido ao retorno menor que o habitual para os produtores.
O executivo afirmou que o principal foco para a próxima safra será o comportamento do clima e seu efeito sobre a produtividade. O plantio deve começar a partir de meados do próximo mês, enquanto a colheita costuma ter início entre o fim de dezembro e o começo de janeiro.
Segundo ele, o El Niño está confirmado e pode provocar impacto sobre a produção e a produtividade. Nesse cenário, a produção poderia ser um pouco menor, mesmo com uma área plantada maior.
O fenômeno costuma trazer mais chuvas para o Sul do Brasil, mas pode provocar um período mais seco e quente no centro-norte do país. A avaliação do executivo coincide com a opinião de alguns analistas sobre um crescimento da área plantada. Consultores, porém, veem possibilidade de pequeno aumento da produção.
Mesmo sem apresentar números para a safra 2026/27, Noto acredita que a produção brasileira deverá ser suficiente para atender à demanda no mercado externo e no mercado doméstico.
Na última colheita, encerrada no primeiro semestre, o Brasil produziu um recorde de 180,5 milhões de toneladas de soja, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Durante um balanço inicial do escoamento da safra 2025/26, o executivo afirmou que a Cofco cresceu bastante no corredor de Santos após utilizar o novo Terminal Export Cofco (TEC), localizado no porto de Santos. A primeira fase do terminal tem capacidade para movimentar 12 milhões de toneladas por ano.
A expansão ocorreu tanto no volume transportado por ferrovia a partir de Mato Grosso quanto na participação de mercado da empresa nas regiões conectadas ao porto, especialmente Minas Gerais, Goiás e São Paulo, afirmou o executivo.
Neste ano, a Cofco exportou pelo novo terminal soja, milho e açúcar. Na semana anterior ao anúncio, também embarcou sorgo pela estrutura, sem informar os volumes movimentados.
A empresa prevê concluir por volta de outubro a segunda fase do terminal. Com a expansão, a capacidade do ativo deverá subir para 14,5 milhões de toneladas por ano. A entrada de alguns silos adicionais aumentará a capacidade portuária, enquanto os dois berços de atracação já estão em pleno funcionamento.
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