![Safra recorde de café alivia preços no curto prazo, mas El Niño gera cautela para 2027 4 [Mercado Financeiro] Safra recorde de café alivia preços no curto prazo, mas El Niño gera cautela para 2027](https://mlxc2yjmu1wd.i.optimole.com/cb:ZRKO.487/w:1920/h:1280/q:mauto/f:best/https://traderiniciante.com.br/wp-content/uploads/2026/06/traderiniciante-1781147657.jpg)
A colheita brasileira de café caminha para um novo recorde. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta 66,7 milhões de sacas na safra 2026, 18 % acima do ciclo anterior e acima do pico de 2020. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) é ainda mais otimista: 71,9 milhões de sacas. Mesmo com a boa notícia, o setor observa com cautela a formação do El Niño, fenômeno que pode comprometer a florada e a produção de 2027.
Maior oferta costuma significar preços mais baixos. De fato, a perspectiva de produção recorde já pressiona as cotações internacionais do arábica. Para o consumidor brasileiro, o reflexo tende a ser de estabilidade ou leve recuo nas gôndolas, ajudado pelo real relativamente firme frente ao dólar e pelo esforço das torrefações em repor estoques.
Contudo, os estoques globais continuam baixos após safras frustradas recentes. Esse estoque apertado funciona como colchão limitado: qualquer surpresa climática pode rapidamente zerar o espaço para queda adicional de preços.
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. No Brasil, ele costuma alterar o regime de chuvas entre a primavera e o verão, podendo atrasar ou reduzir a florada do café. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) eleva para 96 % a probabilidade de o fenômeno se firmar entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, com dois terços de chance de intensidade forte a muito forte.
Caso o clima atrapalhe a florada que define a safra de 2027, a oferta poderá encolher, num momento em que estoques ainda não foram totalmente recompostos. Analistas lembram que essa combinação costuma sustentar ou até inverter a trajetória de preços.
Imagem: Reprodução | Trader Iniciante
Como as grandes marcas trabalham com contratos e coberturas de preço, oscilações climáticas demoram a chegar ao varejo. No curto prazo, a matéria-prima mais barata deve prevalecer. Ajustes mais expressivos ao consumidor só ocorrerão se o potencial dano climático se materializar e se propagar pelas cadeias de suprimento.
Por ora, a abundância de 2026 traz alívio para o setor e para o consumidor, mas o comportamento do Pacífico até o fim do ano dirá se o mercado de café permanecerá calmo ou se voltará a ter sabor amargo em 2027.
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